O single Crack a bottle, fruto da parceria de Eminem com os rappers 50 Cent e Dr. Dre bateu recordes de vendas em seu lançamento.
Foram vendidos mais de 418.000 downloads da música em sua primeira semana, superando os 335.000 de Live your life, de T.I e Rihanna, que inclusive já se despediu dos dez mais tocados da Billboard.
Pra mim, Crack a bottle não é grande coisa. Talvez seja porque eu não morra de amores pelo Eminem. O single vem do álbum Relapse, cuja capa provavelmente é essa da foto ao lado. Com isso, Minha vida chuparia sem você, da Kelly Clarkson (tradução ótima) acabou empurrada para a 4ª colocação na maior parada musical da América. Fora isso, foram poucas as novidades da Billboard essa semana. Acompanhe, e repare que se confirmou a tendência que apontamos a semana passada com a chegada de Dead and gone, ótima música de T.I e Justin Timberlake. E que vai subir mais, pode apostar.
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sexta-feira, outubro 26, 2007
5 Considerações sobre a sexualidade e o papel acessório da beleza.
O bling-bling tem um poder sedutor. Ele é a grande vitrine que instiga os mais jovens a considerar a hipótese de adentrar na carreira musical, ou pelo menos deixam os artistas mais admiráveis para eles. Não só a imagem de dinheiro farto e fácil, como também a propaganda de sexo fácil, que usualmente caminha lado a lado com o bling-bling no repertório dos discos e dos videoclipes.
A sexualidade é até mais presente que a ostentação. Nós a encontramos de maneira implícita ou até mais despudorada, a depender do artista. Já dissemos e não negamos que beleza não é fundamental no R&B, principalmente no aspecto masculino. As mulheres com padrões de beleza que discordem do difundido na sociedade não são dispensadas por este estilo musical, em que o talento para cada área (soul, hip-hop ou outros) é o real fator decisivo para se conquistar o sucesso. Grande exemplo são o senegalês Akon, e Queen Latifah, dois artistas cardinais do R&B contemporâneo, e que não contam com a beleza nem com a própria sensualidade (a do conceito padronizado pelos estereótipos sociais) como principal alavanca de vendas.
Akon feat. Eminem - Smack That
Queen Latifah no filme Hairspray - I know where I've been
Mas fato é que a beleza também não atrapalha. A crítica especializada reconhece que as grandes revelações femininas do R&B são também símbolos sexuais, e seriam grandes artistas mesmo se dependessem só da música, sem se valer do corpo. Adiante falaremos mais deste ponto, porém antes deveremos regressar outra vez ao movimento teen pop, que trouxe ao Rhythm and Blues vários de seus maiores nomes – porém, por motivos diversos.
4 O bling-bling.
Háuma ramificação deste estilo musical onde a impera a ostentação financeira, manifestada através de músicas que falam de ascensão econômica, idolatria a itens supérfluos e valorização demasiada da aquisição de jóias, carros importados, mansões; enfim, um mundo muito aquém do vivido pela grande parte da população americana. A esse estilo chamamos bling-bling, denominação originada na década de 1970, numa alusão onomatopéica ao som de moedas ou jóias em contato induzido. Artistas adeptos ao bling-bling são usualmente os que querem passar imagem de uma carreira bem-sucedida, de plena vitória contra as adversidades que outrora passaram na vida; querem que contemplemos suas conquistas e que consideremos que eles conseguiram muito, muito têm e muito terão eternamente, o que lhes dá plenos direitos para gastar com superfluidades caríssimas de todos os gêneros – ou simplesmente, querem dizer “o dinheiro é meu, eu gasto como eu quiser”. Geralmente são negros, e a visível vontade de se afirmar numa sociedade excludente, onde sua raça possui um histórico de opressão e miséria, uma vez prósperos em suas trajetórias, adornam-se com jóias pesadas e elaboradas com metais nobres, relógios faustosos, carros inconcebíveis para a maioria de seus fãs, mansões de luxo e incrementos nas arcadas dentárias que valem mais que um apartamento. Sua grande tônica não fica simplesmente no possuir tais bens, mas em mostrá-los escancaradamente para todos, seja em aparições públicas, ou em shows, ou videoclipes extremamente visuais e adornados pelas mais espetaculosas maravilhas que o dinheiro pode comprar.
Um grande nome do bling-bling atual é o rapper 50 Cent, cuja biografia não difere muito da de outras insígnias do mesmo ambiente musical. Seu verdadeiro nome é Curtis James Jackson III, nascido no ano de 1975, na Costa Leste da cidade de Nova Iorque, Estados Unidos. Abandonada, sua mãe tornou-se prostituta, e foi encontrada morta quando Curtis ainda era criança. Após a tragédia, Curtis passou aos cuidados dos avós, que o criaram até a adolescência. O epíteto “50 Cent” foi inspirado, segundo ele, “num garoto que fazia assaltos no Brooklin”. Cedo começou seu envolvimento com as drogas e a criminalidade, o que lhe valeu diversas passagens pela prisão. No entanto, sua vida começa a mudar em 1996, quando conhece Jam Master Jay, de uma chamada banda Run DMC; ele lhe deu uma fita com batidas e pediu que improvisasse seu rap por cima – o improviso é um dom valiosíssimo, talvez até indispensável para um rapper. Desde o seu início na música, 50 Cent foi comandado por Majestic, um homem poderoso, que comandava uma rede de capangas e influências para fugir da polícia e conquistar respeito. Nos Estados Unidos, costuma-se dizer que “todo rapper da Costa Leste possui uma banca por trás”, e com 50 Cent não foi diferente. Certo dia, Curtis descobriu que Majestic foi quem assassinou a sua mãe, e que o mesmo não queria mais que 50 Cent se apresentasse naquela área, pois perderia todo o respeito lá. Na ira de uma ocasião, Majestic tentou matá-lo com uma faca, mas um dos amigos de 50 Cent baleou o seu ex-chefe, levando-o a morte.
Algum tempo depois, o rapper decidiu começar a fazer shows ao invés de apenas escrever as letras. Então, aconteceu o imprevisto: o famoso “rapper branco” Eminem ouviu e gostou das produções de 50 Cent, começando a dizer para a mídia que aquele era seu rapper preferido. Depois disso, ele começou a fazer suas produções e finalmente lançou seu álbum Get Rich or Die Trying (Fique Rico ou Morra Tentando) em 2003, caindo no gosto do grande público e entrando em processo de irrefreável ascensão. 5o Cent é hoje um dos mais bem-sucedidosdos gangsta rappers, uma subespécie de rappers com íntimo envolvimento com gangues de origens obscuras.
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