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segunda-feira, abril 13, 2009

O CONTRATADOR DE DIAMANTES | ÚLTIMO CAPÍTULO

Vivendo a vida
EPISÓDIO 7 - FINAL DE TEMPORADA


Uziel estaciona o carro próximo ao Banco, onde irá sacar o dinheiro, mas sua esposa parece tomar outra direção.
__Para onde você está indo, Renata? –Perguntou Uziel temendo o acerto de contas que. mais cedo ou mais tarde, haveria. –Por favor, não vá ver...
__Sua ex-amante? –Perguntou a esposa piedosa. –Vou comprar umas roupas, quando terminar passa lá pra me chamar.

__Renata, meu amor, para quê fazer isso?

__Eu quero que ela nos veja. –Decretou Renata indo em direção ao Empório do Contratador de Diamantes, que ficava a uma quadra dali. Uziel deu um muxoxo e entrou no Banco.


Daniel Caleb saiu do escritório ao ver a loja cheia. Era o pico das dez da manhã. Ele olhou ao redor e viu Carlos mostrando os cintos para um senhor caucasiano, já ancião; Babi mostrava peças íntimas para uma executiva negra de cabelos volumosos; Simone estava no caixa fazendo o parcelamento das calças de uma mãe sorridente que estava com seu filho mal-humorado de 14 anos; Carla estava no outro caixa passando o cartão de crédito de uma jovem universitária que comprara uma blusa e uma calça da Ellus para dar de aniversário ao namorado; Alessandro mostrava ternos a um homem fino; E Vânia há 1 hora tentava ajudar uma senhora simpática e indecisa a escolher um vestido para a neta.
Foi no decorrer disto, que Renata entrou na loja e Daniel Caleb foi atendê-la.
__No que posso ajudar? –Perguntou Daniel.
__Eu gostaria que a Vânia me atendesse, pode ser? –Pediu Renata, que atraiu as atenções. Vânia a olhou sem graça.



Uziel tinha acabado de cancelar sua conta e antes de sair do Banco, escutou um tiro. Ao olhar ao lado, viu o segurança caindo baleado.
__Todo mundo no chão, isso daqui é um assalto. –Gritou o ladrão. Nem todos se jogaram no chão, mas todos gritaram. Eram três assaltantes. Um ficou com a arma apontada para as pessoas, enquanto os demais foram tentar extorquir o máximo de dinheiro possível.
__Abre isso neguinho, se não eu vou estourar sua cabeça! –Mandou um dos bandidos ao caixa (que era mais claro do que ele). Logo ouviram as sirenes da polícia.
__Vamo embora! –Gritou o vilão de cor parda e dentes grandes. Uziel se levantou, mas logo ouviu mais tiros e voltou a se abaixar.


Amoris
fazia careta enquanto passava o secador no cabelo da sua cliente.

__Você ta ouvindo isso Amoris? –Comentou a cliente.
__Devem ser fogos de artifícios. –Disse Amoris concentrada para acabar logo com a escova.
__Não, isso é tiro! –Disse a cliente pulando da cadeira e logo viu o tiroteio aproximando do salão. As duas desesperadas puxaram a porta.


__Só um instante. Caleb, atende essa senhora, por favor. –Pediu Vânia, indo até Renata, que de pronto lhe deu um tapa na cara.
__Isso foi pra você aprender a não tentar roubar o marido das outras. –Disse Renata, retomando a pose. Todos ficaram mudos, até ouvirem um barulho de confusão que vinha de fora.
__O que tá acontecendo? –Perguntou a jovem universitária que já terminara sua compra. Ela passou pela porta de vidro da loja e um tiro lhe explodiu o rosto sujando a porta de vermelho.
A primeira reação de todos foi se afastar da entrada, ficaram paralisados por um tempo, o menino de 14 anos se aproximou para tentar ver o que estava acontecendo quando o vilão armado entrou de rompante na loja, e por trás da porta de vidro suja de sangue, fez todos de refém.

__Quem se mover, leva bala. –Gritou o homem. Daniel, próximo à porta do depósito, tentou arriscar, o homem atirou, espichou sangue, mas Daniel conseguiu se trancar. – Esse passou. Mas ninguém mais vai tentar nenhuma gracinha. Quero todo mundo aqui na minha frente! –O bandido se afastou da porta com o menino nos braços e mandou que todos ficassem em pé como uma barreira.

__Solte meu filho! –Pediu a mãe chorando.
__Se afaste. –Mandou o bandido que não queria ninguém perto.
__Fique comigo, mas solte o meu filho... –Disse a mulher se aproximando, ele dispara.
__Mandei não se aproximar. –A mulher caiu morta no chão.
__Ai, Meu Deus, vamos morrer aqui! –Gritou Babi chorando rios. Simone e Carla em choque, mesmo não sendo amigas, se abraçaram. Renata e Vânia se olharam amedrontadas. Carlos aos poucos conseguiu ir até Babi e abraçá-la. Ela chorou em seu ombro. A polícia anunciou do lado de fora.
__Não tem saída para você. Renda-se, libere os reféns e nós o ajuderemos. –O bandido soltou uma gargalhada colocando ainda mais medo em todos, que já estavam mudos.
__Desgraçados... Mataram meus dois amigos e acham que eu vou me entregar? –Nos braços do bandido, o menino chorava pela sua mãe no chão. Isso doeu no coração de Alessandro de tal forma que o fez perder o medo de abrir a boca.
__O senhor vai nos usar como reféns, até conseguir fugir? –Perguntou Alessandro querendo dar um consolo a todos.
__Não. Eu não vou conseguir fugir. Eu vou fazer um espetáculo. Matarei todos vocês e depois me mato. –Disse o psicopata, deixando todos piores ainda.

Horas depois...

Os reféns, com exceção do menino, estavam sentados e encostados à entrada, enquanto a negociação com a polícia seguia sem sucesso.

__Que estupidez. Vim brigar com a ex-amante do meu marido e agora vou morrer. –Disse Renata olhando para a Vânia, num tom inacreditavelmente arrependido.
__Ninguém vai morrer aqui. –Disse Alessandro confiante olhando para todos. Babi o olhou chorando:
__Como não, Alessandro? Você não ouviu o que ele disse?!

__O Daniel se trancou e nos deixou aqui. –Disse Carla, com raiva da covardia dele.
__Ah, gente. Eu sou muito nova para morrer. –Disse Babi ainda chorando.

__E por acaso eu sou velha? –Perguntou Simone que também já estava chorando.
__O que quer que aconteça... –Disse Carlos olhando nos olhos de cada um. –Eu quero que vocês saibam, que vocês tornaram a minha vida melhor. –Terminou emocionado. Babi sem palavras para agradecer, descansou sua cabeça no ombro dele. E Vânia que sentia o mesmo, segurou a mão dele.
__Eu digo o mesmo. Eu amo vocês. –Disse ela pela primeira vez.



O bandido se comunicava com a polícia através do telefone da loja que outra vez voltou a tocar.
__É o seguinte, eu só vou liberar os reféns, quando todas as emissoras de televisão estiverem transmitindo isso. –Disse ele desligando. Alessandro deu um sorrido meio que orgulhoso por ter acertado.
__Eu não disse? Tudo vai ficar bem.

__Na verdade, não. –Disse o vilão. –Quando todos os canais de televisão estiverem transmitindo isto, eu matarei todos vocês e entrarei na história como um dos maiores criminosos do mundo. –Todos se olharam com a alma em frangalhos.

Enquanto as emissoras eram chamadas e uma multidão esperava ver o resultado de mais um momento trágico na história de São Paulo. Amoris aguardava aflita e afligindo a todos do lado de fora.
__Seu policial, meu namorado está lá dentro, eu... –Ele a deixa falando sozinha. –Mas que povo grosso. Por que vocês não fazem alguma coisa, hein?! –Reclamou ela, que já não agüentava de tanto chorar. Com a cabeça baixa e mais do que desesperada, avistou um ser humano tão desesperado quanto ela. –Você está com conhecidos lá também?

__Sim. –Respondeu Uziel aflito, porque parecia que a polícia não estava fazendo tudo o que estava ao seu alcance. –A minha mulher está lá.


O bandido zapeava pelos canais da televisão presa a um adaptador. Parou na Rede TV, que já transmitia o seqüestro, e o sensacionalismo era tanto que parecia que a transmissão começara antes mesmo de o próprio bandido anunciar o assalto ao banco. Daniel Caleb estava escondido atrás da porta. A perda de sangue há tempos o deixou tonto e agora sem agüentar mais, e ele desfalece.
__Se minha esposa morrer, eu não vou me perdoar –Disse Uziel. –E não é só minha esposa que está lá, eu conheço outra pessoa...

__E eu conheço todos que trabalham lá. –Interrompeu Amoris. –Ele gosta de Thalia. –Murmurou ela. __O quê?
__Meu namorado gosta da Thalia.
__E eu com isso?!
__Nossa, que grosso... -Amoris baixou a cabeça, mas sabia que estava sendo inconveniente. -Me desculpe. O celular de Simone toca, o bandido olha para ela.


__É o meu marido, posso atender?
__Um minuto para se despedir. –Disse ele. Simone já atendeu chorando.
__Oi, meu amor...
__Simone, eu estou vendo a televisão aqui, me diga que você não está...
__Escuta, Tito. –Interrompeu ela. –Se eu não voltar para casa, pede para alguém te ensinar a fazer a Cremogema das crianças sem embolar.
__Do que você ta falando, meu amor? É claro que você vai voltar para casa, eu estou indo aí na loja.
__Não, Tito. Escuta, eu amo muito todos vocês. Desculpa pelas coisas que já fiz. O seqüestrador só me deu um minuto, deixa eu me despedir das crianças. –Tito, sentado com o telefone fixo em frente à televisão, se levantou nervoso.

__Sissy, você não morrer. Você vai voltar para casa e vai fazer a Cremogema dos meninos.
__Tá bom. Já chega. –Disse o bandido tomando-lhe o celular.
__Tchau, amor. Não deixa o mingau dos meninos embolar! –Gritou Simone antes de o celular ter sido pego. Ela se encostou em Babi chorando, Carla a abraçou do outro lado e Carlos lhe estendeu o braço. Os amigos choraram dividindo a mesma dor.
__Não acredito que isso está acontecendo... –Disse Renata chorando.
__Eu sinto muito, Renata. Como eu queria que você não estivesse aqui. Juro que se eu pudesse voltar no tempo, eu voltaria. –Disse Vânia. –Eu tive muita inveja da sua felicidade com o Uziel...
__Que felicidade? Ele não era tão feliz comigo quanto eu imaginava, senão ele não teria me traído.

__Não. Ele te ama. No final de tudo ele escolheu você.

__Por pena, Vânia. –Revelou Renata, numa dor resignada. –O que ele sente por mim é carinho, gratidão talvez, mas quem ele ama é você. Eu é que não o deixei livre para fazer a escolha que realmente ele queria.
Vânia segurou a mão da ex-rival.

__Você está enganada. Você é melhor do que eu em tudo. Por isso corri quando estive na sua casa, eu não poderia enfrentá-la. Você é fina, tem um bom caráter, é uma excelente pessoa, eu é que não presto. Quando tudo isso acabar, eu quero que vocês dois sejam muito felizes porque você merece. –Disse, do fundo do coração. As duas se abraçam.


__A Globo, a Record e a Bandeirantes já estão transmitindo. Quando o SBT e a TVE começarem a mostrar, o nosso espetáculo começa. –Disse o bandido segurando o refém já sem forças com os olhos trêmulos no corpo da mãe.

__Minha filha está lá! Eu quero falar com minha filha! –Gritava uma senhora com o policial.
__Calma, minha senhora. Estamos fazendo o máximo.
__Não me chame de senhora, eu sou mais nova do que sua irmã. –Amoris e Uziel ouviram a discussão ao olharem para o lado a viram.
__Dona Lia, o que faz aqui? –Perguntou Uziel a sua ex-sogra.
__Mas que pergunta idiota. Minha filha está aí com um ladrão, assassino, seqüestrador e você me pergunta o que eu faço aqui? Será que depois de trocar minha filha por outra você ficou burro?
__Como? Você é o amante da Vânia? –Perguntou Amoris, por fim se dando conta.

__Amante?? Não vai me dizer que você e minha filha estão tendo um caso? –Perguntou Lia, preocupada com a filha e com raiva ao mesmo rempo. O silêncio dele foi a resposta. –Então é por isso que você está aqui.
__Não. Minha esposa também está na loja.

__Cachorro. É amante da minha filha, mas só está aqui por causa da esposa. Senhor policial, me empreste este autofalante aí, brigar com minha filha, e depois prenda esse rapaz!
__Se acalmem todos vocês. Se não, vou prender é todo mundo. –Ameaçou o policial.


O celular de Alessandro tocou.

__Posso atender? –Perguntou Alessandro, nervosamente para o bandido.
__Vai me dizer que é o seu marido também? -Ironizou. -Um minuto. E vê se não perde tempo falando de mingau com ele. Mas isso é só pra você não se queixar com Satã que deixei ela se despedir e você não.
Alessandro atendeu o telefone.
__Oi, Amores.

__Meu amor... –disse ela na linha. –Você ta podendo falar?
__Posso.
__Não quero que ele lhe dê um tiro...
Alessandro perdeu a paciência e gritou:
__Amores, me escuta. Eu amo muito você, todos aqui te amamos.
__Eu também amo todos vocês. Tudo vai dar certo, a policia só está com o rabo sentada, mas no fim vai dar tudo certo!
__Você é péssima nos consolos.
__Eu sei. –Respondeu ela chorando do outro lado.

__Deixa eu falar com ela. –Pediu Vânia.
__A Vânia quer falar com você. –Alessandro passou o celular.
__Amores, minha amiga. Procure minha mãe e diga a ela que apesar de tudo, eu não guardo rancor...
__Espera, ela tá aqui. –Amores passou o celular para Lia dizendo que era sua filha na linha.

__Mamãe, é a senhora?
__Vânia, você é louca?! Se envolvendo com um homem casado?
!
__Deixe eu falar com ela. –Pediu Uziel. O bandido tomou o celular das mãos de Vânia.
__Pronto, acabou. –Vânia olhou para o Renata ao seu lado.-Agora só falta o SBT! –Disse o bandido com suor no rosto. A loja estava carregada de pressão.
__Eu quero revelar uma coisa para vocês. Eu não parei totalmente com as drogas. –Disse Carlos.
__Ah, cara. Como você pôde ter feito isso? –Perguntou Alessandro decepcionado.
__E o que isso importa agora? Pelo amor da madrugada, gente. O Carlos não vai morrer com drogas, mas vai morrer aqui. Eu não sei qual é o pior. –Disse Simone.
__Não fala isso, Simone. Não fala que vamos morrer aqui! –Implorou Babi.
__Acorde, minha filha. Esse homem é louco. –Disse Simone.
__Por que a porcaria do canal daquele velho gagá não está exibindo? –Perguntou o bandido falando com a policia pelo telefone. –Eu não tô de brincadeira nessa porra.
__Solte o menino. Falamos com o departamento de jornalismo da emissora e dissemos que só permitiremos a transmissão quando você soltar o menino de menor. –O Bandido resolveu atender ao pedido.

__Você está com sorte, menino. Será o único que viverá para contar a história. –Ele soltou o menino próximo a porta e o mandou correr, enquanto ele pegaria outro refém.
__É agora ou nunca. –Disse o atirador quando ele soltou o menino. Atirou. Os reféns se abaixaram gritando desesperados. O menino conseguiu sair da loja, e foi protegido pelos policiais. O vilão puxou Vânia do chão, fazendo-a refém. Deu sinal para que ligassem e atendeu ao telefone.- Todos de pé!–Gritou ele.
__Qual é o seu nome? –Perguntou Renata, tentando acamá-lo.
__Sem essa -Disse o sequestrador.
__Eu amo todos vocês. –Disse Vânia de frente para todos.
__Eu vou entrar para a história. –Gritou o vilão, que atirou e em seguida foi derrubado ao chão por Daniel.


Houve tumulto, os mais corajosos, aproveitaram e fizeram montinho em cima do bandido, a policia conseguiu entrar. Amoris, Uziel e Lia aproveitaram o embalo e também correram para dentro.

Vânia tomou um choque ao ver Renata baleada, ela se pôs de joelho para tentar ajudar.
__Fique com ele. –Gemeu Renata, logo em seguida fechou os olhos. Uziel entrou e ao vê-la logo caiu sobre o corpo da falecida.
__Minha filha! –Gritou Lia. Vânia levantou e abraçou sua mãe. A loja encheu de policiais e de para-médicos.
Daniel Calev foi levado por uma ambulância para o hospital, por causa do braço. __Você nos salvou, Daniel. Muito obrigada. –Agradeceu Carla, quando ele acordou.
__Você fumou bosta? –Perguntou ele com sua agressividade. No quarto do hospital também estava Carlos, que queria agradecer.
__Você não lembra ou não quer passar por herói? –Perguntou Carlos. Daniel não se lembrava, porque não fora ele que os havia salvado. Foi sua outra personalidade que ainda estava em ascensão, mas mesmo não se lembrando, ele preferiu ficar com os créditos.

__É, eu salvei todo mundo.




Muitas vezes surpresas podem atrapalhar nossos planos. E mesmo com tanta rotina, a vida não é plana e decisões importantes podem ocorrer no meio do caminho.
__Você quer casar comigo? –Perguntou Alessandro abraçado a Amoris.
__Tinha planejado morrer solteira. –Brincou. –Fala sério?



A vida é cheia de surpresas. Algumas são boas... Outras mais ou menos.
__Eu e o Daniel voltamos. –Anunciou Carla aos amigos. Todos abriram um sorriso amarelo.
O tempo passa e vamos vivendo, deixando a vida levar. Algumas vezes, a vida nos leva para onde queremos.
__Encontrei um emprego! –Vibrou Tito dando a notícia a sua mulher que o beijou.

__Enfim, as coisas estão começando a melhorar. –Disse Simone estonteante de alegria.
Mas às vezes, a vida pode ser traiçoeira e aos poucos nos levar para um grande problema em longo prazo. Como Vânia que, com depressão e crise de consciência, volta à sua segunda vida como Micaela. Ironicamente, seu novo cliente tem uma ligação em sua vida mais forte do que ela imagina...
__Como é seu nome mesmo? –Perguntou ela ao homem no quarto do motel.

__Timóteo. Estou comemorando com você por ter conseguido um emprego. –Disse ele beijando-a. Mal sabia que aquela falsa Micaela era a melhor amiga da sua esposa e ela sem saber que Timóteo era o famoso Tito.
Às vezes a vida é traiçoeira com alguns, mas salvo algumas exceções, há pessoas com quem ela é sempre traiçoeira. Na hora do almoço, Simone foi acompanhar Babi ao médico, para saber o resultado dos exames que fizera.
__Você está grávida. –Disse o médico. Simone olhou para a amiga pálida, as duas sabia, quem seria o pai.
__Não pode ser. Eu ainda sou virgem. –Disse Babi convicta. -Eu fui à ginecologista semana passada. Eu tenho certeza de que eu sou virgem, o exame está errado.
__Virgem ou não, está grávida. –O mundo de Babi desmoronou.
Quando as duas sairam da sala do médico, a televisão da recepção exibia uma matéria com os sobreviventes do trágico seqüestro. A imagem dos sete amigos e de Daniel Caleb como o falso herói meio deles foi frisada como encerramento da matéria.


* * *
Season finale

* * *


NÃO PERCA, EM BREVE
A SEGUNDA TEMPORADA DE

O Contratador de Diamantes


blogaritmox@gmail.com

domingo, abril 05, 2009

O CONTRATADOR DE DIAMANTES | PENÚLTIMO CAPÍTULO

Estupro
EPISÓDIO 6



Para Simone, a única vantagem de se ter uma sogra era sempre ter alguém que tomasse conta, gratuitamente, dos seus filhos.
__Simone, querida. Venha cortar os tomates para a salada. –Chamou a sogra, da cozinha.
__Dona Maria, mande seu filho cortar, que eu tô aqui com as crianças. – Simone respondeu, da sala.
Maria foi até lá.

__Meu filho não se casou para cortar tomates, querida. Os tomates estão lhe esperando. –Disse ela voltando para a cozinha.
__Oh, mulherzinha insuportável. –Disse Simone. Quando Tito saiu do banheiro, perguntou o que ela estava falando. –Nada. Olha aí essas criaturas. –Disse ela indo para a cozinha.
Maria cheirou os tomates.

__Estão fresquinhos. Você tem que comprar desses para sua casa, não tem agrotóxicos, não quero que meu filhinho tenha câncer de próstata porque sua esposa não sabe comprar tomates sem veneno. –Simone não respondeu nada, apenas revirou os olhos. Maria parou zonza do lado da pia.
__A senhora está se sentindo bem? –Maria desmaiou de vez, batendo com a cabeça na quina da pia. –Tito! –Gritou Simone.


__Derrame?! - perguntou Babi, abismada, no dia seguinte. Não conhecia Dona Maria, mas o simples fato de a sogra de Simone estar internada na UTI a deixou simplesmente estarrecida.
__No que você precisar pode contar comigo. –Apoiou Carlos.
__Obrigada, gente. Ontem eu liguei para o meu irmão Thiago, que mora no interior, e ele já chegou pra ficar cuidando dos meninos para mim.
__Menos mal. Já é uma ajuda. –Disse Babi, quando Daniel Caleb saiu do seu escritório.
__Eu gostaria de saber quem foi que vendeu 358 reais à prestação e não colocou o telefone do cliente na proposta. –Disse ele cuspindo fogo. –Esse garrancho é seu, não, Simone?
__A mulher não tinha telefone. Você não estava aqui na hora, aí a Carla me autorizou a vender assim mesmo. –Explicou-se ela.
__Eu, Simone?! Eu disse que não sabia, o Alessandro é quem disse que podia, porque ele já tinha vendido assim. –Rebateu Carla.
__Não, senhora. –Disse Alessandro. - Eu só disse que o Daniel já havia me permitido vender assim, aí você autorizou a Simone.
__Tem cinco meses que essa mulher comprou e não pagou. Dona Simone cabeça de ovo, eu quero esse dinheiro hoje no meu caixa, ou você está despedida.
__Mas Daniel...
__Mas nada. Você tem 5 horas para arranjar meu dinheiro que você perdeu com sua vendagem de mula. –Esbracejou ele voltando ao escritório.
__Era o que faltava para completar. –Disse ela nervosa.
__Calma, Simone. A gente dá um jeito. Não é, galera? –Perguntou Vânia buscando mais apoio.
__Vou ficar desempregada.
__Simone, não se preocupa. Eu tenho o dinheiro e posso te emprestar. Você me devolve sem pressa. –Disse Vânia.
__E precisando da gente, já sabe. –Repetiu Carlos.
__Obrigada, gente. Eu não sei o que ia ser de mim sem vocês. Exceto você – apontou para Carla, mas só para alfinetar.

O dia foi passando. O telefone da loja tocou, Babi atendeu, era para Simone.

__Simone, o Luizinho bateu a boca no chão e cortou. –Disse Thiago do outro lado da linha.
__Como é que isso foi acontecer, irresponsável? –Mas uma preocupação para ela.
Chegando próximo ao fim do expediente, Simone perdeu a pressão e desmaiou.

__Galera, ajuda aqui! –Gritou Vânia.
Alessandro e Carlos vieram correndo. Daniel também saiu do escritório, só que num passo bem mais lento.

__Ela tá inconsciente. Chamem uma ambulância. –Mandou Alessandro. Babi ligou o mais rápido que pôde.
__Só me faltava essa: uma funcionária morrer na loja. –Agorou Daniel deixando todos ainda mais aflitos.


__Coitada da Simone. –Disse Amoris ao ser informada de tudo por seu atual namorado.
__Pois é. Mas ela vai ficar bem, amanhã ela vai numa psicóloga, e vai melhorar. Agora eu quero saber de nós. –Disse Alessandro.
__Saber o quê, homem? –Perguntou Amoris na brutalidade incontrolável de sempre.
__Vai fazer uma semana que estamos juntos e ainda não fizemos...
__E nem vamos fazer tão cedo. Só quando casar. –Ele deu uma gargalhada, ela fechou a cara. –Tá rindo do quê?
__Da sua brincadeira.
__Alessandro, yo soy virgem...
Ele arregalou os olhos.

__Desculpa, eu não sabia.
__Nossa, será que eu pareço tanto uma... não-virgem?
__Tudo bem. –Assentiu ele. Amoris e o beijou. Por dentro, Alessandro se perguntava por quanto tempo iria aguentar o recato da namorada. Logo ele, que estava há tento tempo sem fazer sexo... Rezou para não fazer uma besteira.


Na hora do almoço, Simone não foi comer com seus colegas. Ela foi à psicóloga, pois só tinha tempo neste horário, no caminho comeria algum lanche. Conforme o tempo combinado, foi atendida. Simone entrou meia acanhada, nunca tinha feito terapia. Talvez gostasse. Sempre tivera vontade de saber como era.
__Então, Simone. Por que você está aqui? –Perguntou a simpática psicóloga que usava uma calça branca de linho, e Simone lembrou que já havia vendido daquele modelo na loja.
__É... Meu médico me enviou para cá, o Lauro.
__Muito meu amigo.
__Então... –Ela riu de nervoso enquanto observava o consultório. –Ele disse que eu tô com o estresse alto e... –De repente, ela viu algo que a fez lembrar de que já conhecia aquela psicóloga. –Esse é seu marido?
__É sim. Esta foto não deveria está aqui. –Ela se levantou, guardou a fotografia e continuou o interrogatório.


__E aí, como foi? –Perguntou Babi.
__Vocês não vão acreditar quem era a psicóloga.
__Quem era? Nós conhecemos? –Perguntou Carlos curioso.
__É a esposa do Uziel. –Revelou Simone.
__O amante da Vânia? –Perguntou Alessandro em disparada. Vânia não gostou do termo que ele usou.
__Fala mais alto, né Alessandro? Só vocês sabem disso. E o que você achou dela? –Perguntou, após processar a informação.
__A pessoa mais chique que eu já conheci.
__É, eu me lembro um pouco dela. Muito bonita. –Disse Babi.
__Galera, de que lado vocês estão? –Perguntou Vânia já se sentindo inferiorizada.
__Ah, Vânia. Você é a amante do cara e ainda quer se fazer de vítima?! –Reclamou Alessandro que não apoiava adultérios.
__Alessandro, se você me chamar de amante mais uma vez, vou lavar o chão com a sua cara.
__Mas você ta destruindo um casamento...! –Começou um bate boca entre os dois.
__Eu não tenho culpa de nada! Se não fosse comigo, seria com uma outra qualque, e...
__Como assim? -Desentendeu Alessandro. Só agora ela se deu conta da besteira que dissera; pois por pouco teria que explicar que Uziel queria trair a esposa com uma prostituta, que por coincidência, era a própria Vânia.
__Ei! -Carlos interrompeu, e ela deu graças a Deus. - Desse jeito o Hitler vai ouvir. Parem de brigar. –Mandou Carlos.
__Simone, depois a gente conversa, quando eu não tiver inimigos do lado. –Disse Vânia se afastando irritada com Alessandro.
__Tem gente que não gosta de ouvir a verdade.
__Pára, Alessandro. –Advertiu Babi.


Algumas horas depois, Vânia encontrou um momento de falar a sós com Simone no depósito.
__Amiga, por favor, eu quero que você descubra tudo sobre ela e me conte.
__Vânia, ela é minha psicóloga. Quem está lá para tirar informações é ela, e não eu.
__Simone, você é ou não é minha amiga? Você vai voltar lá esta semana.
__Eu ia nessa sexta-feira, mas ela vai viajar.
__Viajar? –Questionou Vânia. –Pra onde?
__Vânia, esquece esse homem. Ele é casado e a mulher dele me pareceu uma pessoa maravilhosa. Amiga, você só vai sofrer. Ouve o que eu tô te dizendo. –Simone saiu. Vânia ficou sozinha com seus pensamentos por alguns minutos.


Alessandro e Amoris chegaram à casa dele. Ele estava contando sobre a briga que tivera com Vânia. Queria que ela lhe desse razão.
__A vida é dela. Deixa ela destruir como quiser. Às vezes temos que deixar nossos amigos quebrarem a cara para aprender. Você é muito preocupado com os outros. –Disse Amoris olhando o apartamento dele. –Muito bonito seu apartamento.
__Obrigado. –Agradeceu ele, já voltando para o outro assunto. –Mas você não acha que eu fiz certo em dizer essas coisas à Vânia para que ela...
__Stop! Alessandro, você tá parecendo um homem velho repetindo a mesma coisa trocentas vezes. Vamos mudar de assunto... –Disse ela sentando-se sensualmente no sofá.
__Tá bom...! Você quer falar do quê? –Perguntou ele, com segundas intenções.
__Eu posso dormir aqui sexta, sábado e domingo? É que eu vou dedetizar minha casa e tenho que ficar fora por três dias. –Ele não estava esperando por isso. E de pronto não gostou da idéia. Achava que ainda estava muito cedo para ela ficar três dias seguidos em seu apartamento.
__Eu estava pensando em dormir com o Carlos esse fim de semana.
__Uau. –ela fez um tom desagradável.
__Pare com essa mente poluída. Não é nada disso. É que eu tenho que ajudar ele com esse lance das drogas. Ele pode voltar a usar a qualquer momento. Se ele ficar sozinho, vai acabar cheirando de novo.
__Baby love, você não poderá estar 24 horas ao lado de Carlos impedindo que ele cheire o que quer que seja. Todos nós vamos ajudá-lo da forma que podemos, but, pero, mas é ele que tem que fazer a escolha de parar. –Finalizou, dando o assunto por resolvido. Ela levantou do sofá e ficou fuçando os CDs dele. –Você escuta Thalia?! Isso não é meio gay? –Ela deu risada. – Kidding! Tô brincando.
__Cuidado para não tirar da ordem. –Pediu ele, já nervoso. Seus CDs eram sagrados.


Vânia e Uziel estavam mais uma vez na cama dela.
__Uzi, você vai viajar esse fim de semana? –Perguntou Vânia, alisando os cabelos negros do amante.
__Não, por quê?
__E sua esposa?
Ele a olhou surpreso.

__Vai, como você sabe?
__Eu não sei, só perguntei. Se ela vai viajar, nós dois bem que podíamos ficar na sua casa. –Ele deu um salto e a olhou sentado na cama.
__Você quer dormir comigo na cama da minha esposa?
Ela se sentou:

__Oras, e por que não? Eu tenho muita vontade de conhecer sua casa e dormir na cama que você dorme todos os dias.
__Não sei se é uma boa idéia -sorriu.
__Por que não? Ela vai estar viajando e nem vai ficar sabendo. –Vânia o abraçou pelas costas. –Se você deixar, eu prometo que faço o que você quiser. –Persuadiu, dando uma mordidinha na orelha do amante.
__Jura? –Uziel sentiu um arrepio. –Então ta certo.


O dia amanheceu, Alessandro chamou Carlos na loja para conversarem em um lugar mais afastado.
__Cara, você precisa me salvar. A Amoris quer dormir lá em casa três dias porque vai dedetizar a casa dela.
__Ótimo. Vocês vão poder curtir um monte. Manda ver e prova que nós não somos gays, viu?
__Não, cara. Presta atenção. A Amoris é virgem e só quer perder depois que casar.
__Virgem? –Perguntou ele sem acreditar.
__Não, ela é virgem mesmo. Ou seja, quer passar três dias lá em casa mexendo em todas as minhas coisas e ainda por cima não vai querer transar, então eu vou acabar enlouquecendo. Não sei do que posso ser capaz.
__E o que você quer que eu faça?
__Quero que você diga a ela que ta precisando de uma companhia para não cair na besteira de cheirar. –Carlos levantou a mão mandando ele parar.
__Eu não vou dar uma de viciado só porque você não quer receber a namorada cabeleireira virgem em sua casa por três dias.
__Falando assim, você parece o Caleb. Por favor, cara. Eu fico te devendo essa.
__Tudo bem. Mas que fique claro que eu não tô tentado a cheirar de novo, as drogas já estão fora da minha vida, nada de ficar tentando me vigiar.
__Pode deixar. Valeu, cara. –Disse Alessandro indo lhe dar um abraço de agradecimento.
__Sai pra lá, se afasta. Nossa fama já ta feia demais pra essas coisas.



Chegou a sexta-feira. A mulher de Uziel viajou, logo depois do trabalho, Vânia foi para a casa dele. Para fugir dos primos pentelhos que tinham se instalado na sua casa (e no seu quarto), Babi se ofereceu para passar o final de semana na casa de Simone, que aceitou de bom grado.
__Eu não confio muito no meu irmão com os meninos. –Disse Simone.
Alessandro e Carlos foram ao salão de Amoris para dar o anuncio.
__Amoris, eu não tô muito legal. Ainda tô meio tremendo sentindo falta das drogas e se eu ficar sozinho posso acabar cometendo uma besteira. Você podia liberar o Alessandro pra ficar comigo nesse fim de semana? –Pediu Carlos com Alessandro do lado.
__Eu queria muito que você ficasse lá, mas tá vendo aí? Ele tá precisando de alguém pra dar uma força. –Disse Alessandro. Amoris se aproximou segurando um secador.
__Quantos quartos tem mesmo o seu apartamento?
__Dois. –Respondeu Carlos, sem entender o porquê da pergunta.
__Vocês dois vão dividir um quarto e eu fico no outro, então. –Decidiu voltando à escova que estava prestes a terminar. Carlos e Alessandro se olharam.
__Faz alguma coisa. –Cochichou Alessandro.
__Como? –Perguntou Amoris se virando.
__Nada, não. –Disse Carlos sorrindo. –Eu vou amar ter vocês dois lá para me ajudar. – ironizou Carlos.


Babi chegou à casa da Simone por volta das 9 da noite. Thiago abriu a porta.
__Oi, eu sou o irmão da Simone. Ela disse que você viria. Ela teve que ir ao hospital, mas pode entrar. –Babi entrou com sua mochila nas costas. As crianças estavam bagunçando a sala.
__Obrigada. E as coisas aqui, estão muito ruins? Resolvi vir para dar uma força à Simone. Muita barra que ela ta passando.
__Nem me diga. Mas minha irmã é batalhadora. Assim como todo mundo da nossa família. –Babi concordou com uma certa incerteza.
__Você mora em Campinas, né? Ela comentou comigo. Você faz o quê lá?
__Eu? Nada. Fico dando trabalho a minha mãe - respondeu Thiago, e Babi riu.
__Não estuda?
__Terminei o terceiro ano e não conseguir passar nos vestibulares que eu fiz...
__Eu também não consegui! –Disse ela abertamente, encontrando algo em comum. –E isso é tão ruim né? Acho tão injusto esse sistema para ingressar numa faculdade no Brasil ... –E passou a dissertar o assunto.


Alessandro, Amoris e Carlos terminaram de comer já tarde da noite.
__Já estou com sono. Eu vou dormir. –Disse Amoris.
__Quer que eu fique no seu quarto até dormir? –Sugeriu Alessandro.
__Não, obrigada. Eu consigo dormir sem ter um orgasmo antes.
__Como você é maldosa.
__Eu sabia que esse namoro de vocês ia ser uma pataquada. –Disse Carlos.
__Eu estava louca quando comecei a namorar esse homem. Devia ter me lembrado que, do jeito que ele era desesperado, só iria pensar em sexo. –implicou Amoris, e Carlos deu risada. Ela foi para o seu quarto. –Não durmam muito juntos, tá? –Brincou, antes de desaparecer.
__Você vai dormir na sala, viu? –Avisou Carlos.


Simone voltou para sua casa no dia seguinte, exausta.
__Eu fiz uma comida. Achei que chegaria com fome. –Disse Babi.
__Oh, eu não sei nem como te agradecer. E me desculpa ter te deixado aqui sozinha. A mãe do Tito não melhorou e eu tive que ficar com eles.
__Não se preocupa. Foi divertido. Eu e seu irmão conversamos muito aqui. Ele é muito legal.
__Ah, sim. Cadê ele?
__Tá dormindo. É que ontem nós ficamos acordados até uma 4 da manhã.
__Fazendo o quê?
__Conversando.
As crianças acordaram e começaram a chamar pela mãe.

__Babi, você podia dar comida a eles e deixar eu tirar pelo menos um cochilo? Eu tô um caco. Juro que fico te devendo essa.
__Tá certo. Eu vou ver as crianças. –Simone foi dormir.


Uma hora depois, Thiago acordou sem camisa e saiu pela casa só de cueca.
__A Simone já chegou? –Perguntou ele, dando um susto em Babi.
__Já. –Respondeu sem graça. –Você anda só de cueca pela casa dos outros é?
__Costume meu.
Ela deu risada.

__Ah, toma vergonha. Veste alguma coisas, as crianças estão olhando.
__Tá bom. Mas eu tô na casa da minha irmã... –Disse ele coçando as axilas e indo para o quarto. Babi achou aquilo horrível, mas ao mesmo tempo ficou nervosa com a virilidade que aquela atitude primitiva causava.


Alessandro e Amoris namoravam no quarto de visita. O namoro estava esquentando até Carlos interromper.
__Vocês vieram me ajudar ou namorar? –Perguntou ele, pulando na cama entre os dois.
__Oh, Carlos. Logo agora que a coisa estava ficando boa. –Reclamou Alessandro, inconformado.
__Você estava com esperança de eu transar na cama dos outros, é? –Perguntou Amoris.
__Nunca se sabe... –Disse Alessandro.
__Não faria nem forçada.
__Mas nunca se sabe...-Repetiu Alessandro, mas Amoris ignorou.
__Se sujassem o lençol, vocês que iam lavar as manchas de sangue.
__Credo! Que coisa feia de se dizer, Carlos! –Brigou Amoris.
__Brincadeira. Eu vou deixar vocês aí e vou tirar um cochilo, que eu adoro dormir sábado à tarde. Fiquem à vontade. Podem sujar o lençol que eu não ligo. –Amoris jogou o travesseiro nele.

Vânia conheceu toda a casa de Uziel. Era um sonho. Imaginou que aquela casa seria sua, caso tivesse se casado. Foi aí que se sentiu deslocada, como se aquilo não lhe pertencesse.
Ele a carregou nos braços, até o quarto. Fizeram amor até o dia raiar.
Acordaram lá pelas 3 da tarde. Procuraram o que comer e ficaram petiscando alguma coisa.
__Eu ainda tô com fome. –Disse Vânia.
__Eu também. Me espera aqui que eu vou no mercado comprar umas coisinha pra gente. –Disse Uziel, dando-lhe um beijo e saindo. Vânia vestiu uma camisola e ficou na sala vendo uns álbuns de fotos que havia encontrada na estante. Ela ouviu a porta se abrir.
__Esqueceu alguma coisa, amor? –Perguntou ela abaixando o álbum.
__Vânia?! –Perguntou a doutora Renata ao vê-la em sua casa. –Eu sabia que era com você que meu marido estava me traindo.
Vânia ficou desesperada, não podia desafiar a dona da casa. Lembrou-se das palavras de Alessandro, sabia que estava errada, só lhe restara... correr!
__Volte aqui! –Gritou Renata, correndo atrás dela, que tentava fugir pela porta da cozinha. –Não fuja, sua descarada. –Vânia apertou o botão do elevador, Renata já vinha atrás, então ela correu para descer pelas escadas. –Não fuja de mim! –Gritou Renata, tentando alcançá-la, até cair da escada. Vânia olhou para trás e voltou para ajudá-la.
__Você está bem? –Pergunto,u preocupada. Renata não conseguiu responder, apenas chorou, tinha sangue no chão. –Eu vou chamar uma ambulância.


Tito chegou em casa dizendo que sua mãe estava morrendo.
__Eu vou tomar banho. Arrume as crianças, nós vamos ver mamãe. –Disse ele aflito.
__Babi, eu vou ter que ir para o hospital com eles. Você vai para sua casa? –Perguntou Simone.
__Não. Ela fica aqui comigo. –Disse Thiago.
__É, eu fico aqui com ele.
__Então ta bom. Vou preparar as crianças.
Assim que Tito tomou seu banho, ele, Simone e as crianças foram para o hospital.

__Coitado do Tito. Será que a mãe dele vai morrer? –Perguntou Babi.
__Se morrer, para minha irmã vai ser um alivio, ela não gosta da sogra. –Disse Thiago causando mais estranheza em Babi.


Simone chegou ao hospital e avistou Vânia, Alessandro, Amoris e Carlos.
__O que vocês estão fazendo aqui?
__A Vânia nos chamou. –Respondeu Carlos.
__A Renata me pegou na casa dela e caiu da escada –Disse Vânia chorando.
__Eu tenho que ficar com o Tito, mas...
__Vai, Simone. A gente tá cuidando dela. –Disse Amoris.
__Eu volto já. –Simone foi atrás do seu marido que estava com os filhos. Ela passou por Uziel, que estava indo falar com Vânia.
__Como ela está? –Perguntou ela, arrependida.
__Quebrou um dente, mas vai ficar bem.-Respondeu Uziel.
__Eu posso fazer alguma coisa?
__Você já fez demais. –disse Uziel com desprezo, voltando para sua esposa. Vânia chorou mais ainda.
__Sempre é assim. O marido sempre fica com a esposa. –Disse Alessandro.
__Ela não precisa disso agora, Alessandro. –Reclamou Amoris. Carlos a abraçou:
__Tudo vai ficar bem.


O telefone tocou, Thiago atendeu e depois desligou.
__Era a Simone dizendo que a sogra está agonizando, pode morrer a qualquer hora, então eles vão demorar muito.
__Então, acho que vou para casa. –Disse Babi que já não achava a companhia de Thiago tão agradável como antes.
__Calma. –Disse ele, pegando-a pelo braço e lhe roubando um beijo.
__O que você ta fazendo?! –Disse ela, afastando-o. –Eu vou pegar minhas coisas e vou embora. –Ela foi até o quarto, ele foi atrás dela e trancou o quarto. –Abre isso que eu vou embora.
__Pare de fazer charme. Eu sei que você também quer. –Babi começou a ficar apavorada, mais ainda quando ele partiu para cima dela, arrancando sua roupa. Ela começou a gritar, ele tapou-lhe a boca com um pano, abaixou suas calças e tentou penetrá-la. Ela tentava bater em Thiago com as pernas, não deixando o pênis entrar. –Pare, fique quieta! –Mandou Thiago com muito tesão, enquanto ela chorava. Houve um momento em que pareceu ter sido penetrada, ele perdeu mais a força, então ela conseguiu soltar seu braço e dar-lhe um murro, destrancou a porta e saiu correndo, ele tentou alcançá-la mais não conseguiu.


Babi ia andando pelas ruas desolada, chorando sem despertar a comoção de nenhum dos transeuntes.

Longe dali, Uziel passava a mão nos cabelos de Renata, pedindo desculpas. Igualmente sem rumo estava Vânia, que no momento deixava o hospital, consolada pelos amigos...
Ao chegar em casa,
Carlos deixou os visitantes namorando no quarto de hóspedes, foi para seus aposentos, e cheirou um pouco da cocaína que havia comprado há dois dias.

Hospedar é uma arte, exige tempo e dedicação. Apesar de todos os trabalhos que se tem em hospedar uma pessoa, o pior mesmo é quando você não tem ninguém que queira se hospedar em sua casa. Como Daniel Caleb, que depois de tanta solidão acabou criando seu próprio visitante.
__Tá precisando de alguma coisa? –Perguntou Daniel em pé, frente ao sofá.
__Não, obrigado. Mas se tivesse uma loira seria bom. –Respondeu Daniel sentado no sofá.
__Eu tenho uma ex-namorada que é loira. Se eu chamar, ela pode vir e ficar com nós dois. –Disse Daniel novamente, em pé, frente ao sofá.
__E ela aguenta? - riu.
__Não tenho dúvdas.
__Uma suruba é uma bela forma de agradar um visitante. –Aceitou sentado no sofá.
__Então vou engolir o orgulho e vou voltar para aquela piranha. –Decidiu Daniel outra vez frente ao sofá. -Mas faço isso por você.
__És um verdadeiro lord.


Nossa última hospedagem não nos permitirá sentir alegria ou tristeza. A Dona Maria chegou em sua última hospedagem, e antes da partida final, lá estavam seus entes queridos dando o último adeus.
__A Vânia não quis vir? –Perguntou Simone olhando o caixão que em breve seria enterrado.
__Não. Ela não está se sentindo bem. –Respondeu Amoris.
__Pô, até o Caleb veio. –Cochichou Carla, e ele se aproximou dela.
__Preciso conversar com você agora. –Exigiu Daniel.
__Depois do enterro. –Disse Carla, pensando em adiar o máximo possível, pois imaginava estar prestes a ser mandada para fora da loja.
__Por que a Babi não veio também? –Perguntou Carlos a Simone.
__Não sei... Ela tava muito estranha. –Respondeu Simone. Thiago ouviu, e sentiu um suave arrepio.


NÃO PERCA
NA SEMANA QUE VEM
O ÚLTIMO CAPÍTULO DA TEMPORADA DE
O Contratador de Diamantes

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segunda-feira, março 30, 2009

O CONTRATADOR DE DIAMANTES | 5º CAPÍTULO

Sábados de trovão
EPISÓDIO 5


Carla trouxe as fotos que havia revelado para o trabalho. Primeiro as mostrou para Vânia, que antes de passar para a próxima foto já viu Simone ao seu lado bisbilhotando.
__É foto? –Perguntou Babi se entrosando. As três viam as fotos enquanto Carla tecia comentários sobre as posições.
__Você ficou linda nessa, Babi. –Disse a loira. Ao chegar à última foto para ser examinada, aquela que Daniel havia tirado de todos os funcionários juntos, Simone deu um salto pegando a foto para si.
__Peraí, o que é isto?
__O quê? –perguntou Vânia puxando a foto para si. Simone com seu dedo indicador mostrou o que seu olho biônico capturara.
__Carlos está com a mão na bunda do Alessandro? –Perguntou Babi sem entender direto.
__Tá parecendo. –Disse Carla. Na foto em que todos estavam com o braço em cima do outro, Carlos estava na ponta esquerda, com um braço sem ninguém ao lado e com o outro numa posição complexa, que parecia estar fazendo o que Babi dissera tão explicitamente. As quatro ficaram examinando as fotos até Alessandro e Carlos sairem do depósito com as roupas que colocariam à mostra.
__O que vocês estão vendo? –Perguntou Carlos segurando as roupas.
__Nada! –Responderam as quatro juntas.
Alessandro riu sem entender. Foi quando Daniel Caleb chegou.
__Menos graça e mais trabalho. –Ordenou indo diretamente para o escritório.
__Eu revelei aquelas fotos que a gente tirou, na hora do almoço eu as mostro para vocês. –Disse Carla pegando as fotos da mão de Vânia.
O dia foi passando na loja do Contratador de Diamantes, entre vendas e fofocas.
__Esses dois, eu não sei, não. –Murmurou Simone enquanto mexia no caixa, olhando para os dois próximos à vitrine.
__Mas será, gente? Acho que não tem nada a ver. –Defendeu Vânia, sem querer julgar.
__Cá entre nós: eu sempre achei os dois muito amigos. –Destilou Babi fantasiando algumas coisas.
__Pense bem, Vânia. O Alessandro não namora ninguém sério desde que eu o conheço. O Carlos volta e meia aparece com uma aí, mas não fica uma semana. Se contar que da turma, acho que a amizade mais forte é a deles. –Destilou ainda mais Simone.
__Nunca imaginei os dois. –Disse Vânia, balançando a cabeça ainda desacreditada.
__Hum, meu bem. Nem toda Cola é Coca. –Filosofou Simone.


Durante o almoço, mais três pessoas viram as fotos pela primeira vez: Carlos, Alessandro e Amoris.
__Ficaram legais. –Disse Carlos sem reparar o detalhe.
__É, eu vou querer umas aí. –Disse Alessandro.
__Alê, você e a Rosa Solitária trocaram os orkuts? –Perguntou Babi, para testar a sexualidade do amigo com um assunto que já não era tão novo. Alessandro olhou para Amoris disfarçadamente.
__Não. Era um fake, parece que uma brincadeira sem graça. –ele mentiu para proteger a amiga. Simone olhou para as amigas desconfiadas. Aquilo era mais uma prova.
__Mudando de pau pra cacete. –Disse Carlos, que fez Babi já levar para o outro lado, encarando de novo as amigas: mais uma prova. –Vocês estão gostando da minissérie Queridos Amigos? Já viram lá a Drica interpretando uma Vânia? Eu gravei todos os capítulos. Por que nesse sábado, vocês não vão todos lá em casa e a gente assiste?
__Posso ir também? –Perguntou Carla, a mais nova do grupo.
__Claro. Eu quero todos os meus queridos amigos lá. –Disse Carlos.
__Então tá feito. Que horas? –Perguntou Alessandro. E assim combinaram de almoçar juntos, cada um levaria um prato.


A sexta-feira à noite chegou, Carlos estava sozinho em casa. Sempre teve o costume de ir para uma boate, namorar, às vezes leva chega de acabar transando com alguma louca embriagada, mas ele estava ciente do quanto isto era efêmero. Melhor seria ficar em casa. Mas enquanto tentava inutilmente assistir à horrorosa novela Beleza Pura, ele só pensava no resto de cocaína que ainda não havia cheirado. Foi aí que resolveu que era melhor sair, e ligou para Alessandro.
__Ah, não to a fim de sair não. –Disse Alessandro.
__Então tá... Amanhã a gente se vê. –Carlos desligou o telefone. Achou que chamar o pessoal de última hora não ia dar certo. Sentindo aquela ansiedade que não passaria tão cedo, resolveu cheirar um pouco. Pelo menos, a cocaína já estava perto de acabar e ele se livraria logo disso.
Fez um carreirão, cheirou, ficou na cama por um tempo até se sentir agitado, deu um pulo da cama, pegou uma vassoura e começou a varrer a casa ao som de Skank, deu uma faxina completa, enquanto cantava e falava coisas sem nexo em voz alta, os vizinhos começaram a reclamar do som alto.
–Vão à merda! –Gritou ele enquanto limpava com sua escova de dentes os cantos dos azulejos do banheiro. –Vão todos para a merda. O pai, o filho... –Deu uma gargalhada. –O cachorro... –Areou mais forte e continuou com a lista. –O síndico... É, não pode faltar a merda do síndico.



__Sua mulher não está desconfiando de nada? –Perguntou Vânia olhando para seu reflexo no espelho do teto do motel.
__Ela é muito desligada. –Respondeu Uziel olhando para ela. –Mas eu não te tornei minha exclusiva para ficarmos falando da minha esposa.
__Sim. Esqueci que comigo só é sexo. –Disse ela com uma certa dorzinha de inferioridade.
__Você é única, sabia?
__E mesmo assim você escolheu a Renata Rayana. –destilou. Odiava o nome daquela piranha.
__Eu a escolhi, mas o que importa é onde eu estou agora. E eu estou com você. Quando eu chamei uma garota de programa, eu não queria ter nenhuma exclusiva, mas com você foi diferente, porque eu gosto de você.
__E eu te amo. –declarou-se, logo se arrependendo ao vê-lo sem reação. –Estou mentindo, seu bobo!– corrigiu, pulando sobre ele.
__Você me excita e isso não é mentira.
__Estou percebendo. –Disse ela rindo.


Chegou o sábado, Simone conseguiu se desfazer de seu marido e de seus filhos, mandando todos para casa da sogra. Alessandro chegou com o carro para buscá-la.

__Já desço. –Disse ela pelo celular. Ela pegou a tapoer com o estrogonofe que fizera com um creme de leite com 4 dias de vencido que achara em sua dispensa.
__Hum, estrogonofe, adoro. –Disse Alessandro, ajudando. –Vamos agora passar na casa da Vânia. –Arrancou o carro. Antes de chegarem, ligaram para ela, Vânia desceu carregando seu pudim de leite condensado que, ao ser desenformado, quebrou um pouco de um lado.
__A Babi vai conosco? –Perguntou ela. Alessandro ligou para dizer que já ia buscá-la. Babi pegou a salada de maionese que sua mãe fizera, escolhendo a maionese da pior marca do mercado para economizar.
__Oi, gente. Falta pegar a Amoris, né? –Perguntou Babi. Alessandro concordou.
__Mas e a Carla? –Perguntou Vânia.
__Essa foi na frente para tentar seduzir o Carlos antes de chegarmos. –Maldisse Simone.
__Toma vergonha, Sonia Abrão. Ela foi porque não pode ir mais de cinco pessoas no carro, se não eu posso pagar multa. –Defendeu Alessandro, que ao chegar à casa de Amoris, teve que entrar para ajudá-la a carregar os 20 litros de refrigerantes.
__Oi, people. Não se preocupem que eu não comprei Frevo e nem Schin. –Disse Amoris depois de ter colocado o refrigerante no porta-malas.
Eles chegaram à casa de Carlos, que desceu para ajudá-los a carregar as coisas.
__E a Carla? –Perguntou Alessandro, colocando os refrigerantes no freezer. A campainha tocou.
__É a Carla. –Anunciou Vânia abrindo a porta.
__Oi, gente. Eu trouxe esta lasanha.
__Trouxe de ônibus? –Perguntou Babi.
__Não. O meu pai veio me trazer.
Simone tomou conta da cozinha para poder esquentar e preparar tudo para o almoço.

__Vamos almoçar agora? –Perguntou Amoris.
__Sim. Eu não vou ficar esquentando isto toda hora. - respondeu Simone. Todos se sentaram enquanto ela sendo ajudada por Vânia colocava a mesa. Logo um temporal começou a cair do lado de fora com raios e trovões.



__Espero que essa chuva não dure muito. –Disse Carla, pois seu bairro às vezes alagava e seu pai não ia poder buscá-la.
__Simone, seu estrogonofe ta diferente, você colocou o quê? –Perguntou Carlos.
__Nada. Por que? Ta ruim.
__Não. Só tá diferente. - e com creme de leite vencido, mas isso Carlos morreria sem descobrir.
__Babi, essa maionese não é Hellmans é? –Perguntou Carla indiscretamente.
__Não sei. –Babi riu. –Não fui eu que fiz.


O almoço seguiu, depois Simone, Vânia e Amoris tiraram a mesa. Passaram para o pudim da Vânia ,que estava aleijado de um lado. Depois foram para a sala assistir aos capítulos de Queridos Amigos, cada uma com sua caipirinha na mão.
Parecia que já era noite de tão escuro que estava, e para acabar de vez com qualquer claridade da casa, faltou energia e todos soltaram um lamento.
__Que droga! Esse prédio tem gerador? –Perguntou Simone.
__Tem, mas tá quebrado.
__Então não tem, né Carlos? –Ironizou Amoris.
__O que a gente vai ficar fazendo aqui sem energia e com essa tempestade? –Perguntou Carla. Calos levantou a taça.
__Beber. –Ele trouxe mais caipirinha na geladeira.
__Você quer embebedar todo mundo? Não acho uma boa idéia ficar bebendo e pronto. –Disse Alessandro, Babi se levantou.
__Já sei. Vamos jogar Verdade ou Desafio.
__Isso não é meio infantil demais? –Perguntou Amoris, não aprovando muito a idéia.

A garrafa de Coca-Cola pet girou sobre o circulo que eles fizeram.
Simone começou tendo Babi como vítima.
__Verdade. –Escolheu Babi.
__Ok. Você ainda é virgem ou já transou com o Bolinho?
__Nossa, as perguntas são fortes assim? –Perguntou Alessandro assustado. Babi ficou vermelha.
__Ah não, Simone... Essa você me paga... Bem, eu não transei com o Bolinho. Terminei com ele porque ele queria me forçar a masturbá-lo e ejaculou na minha mão.
__E ainda é virgem? –Lembrou Simone da outra pergunta.
__Sim. –Respondeu Babi, encerrando o assunto e girando a garrafa.
__Carla, Verdade ou Desafio?
__Verdade.
__Por que você e o Daniel terminaram?
__Porque ele tinha vergonha de mim já que eu não era boa o suficiente para ele que é um idiota.
__Você é um exemplo de jogadora. Diz a verdade como ninguém. –Brincou Vânia se animando com a caipirinha assim como os outros.
Carla girou a garrafa.
__Carlos, verdade ou desafio?
__Verdade, não tenho nada a esconder.
__Você e o Alessandro são gays? –Perguntou ela na maior cara de pau, deixando as outras meninas sem graça e os dois meninos constrangidos.
__Você tá louca?! –Perguntou Carlos com agressividade.
__Calma. A Simone, a Vânia e a Babi estavam falando que achavam que vocês dois eram um casal. – Alessandro as olhou decepcionado.
__Ela tá bêbada... –Tentou se defender Simone, rindo sem graça.
__Eu não acredito que vocês, nossas amigas, pensaram isso de nós. –Disse Alessandro ainda revoltado.
__É claro que não - Disse Simone.
__Eu não sei como vocês puderam pensar isto. –Disse Alesandro.
__Então aproveite e me esclareça uma coisa. Por que quando você descobriu que eu era a Rosa Solitária não quis tentar namorar comigo? –Perguntou Amoris meio que deixando o álcool mostrar toda a dor da sua rejeição.
Todos ficaram calados por alguns segundos.
__Você era a Rosa Solitária? –Perguntou Babi atônita.
__Porque nós somos muito amigos para termos algo. –Respondeu ele estressado.
__Ou então é muito gay. –Disse Carla, rindo.
__Parem aí. Agora sou eu quem vou girar essa merda. –Carlos girou e deu em Simone. –Verdade ou desafio? Escolha verdade, se não vai ser pior.
__Tá bom. Verdade, sobre livre e espontânea pressão. –Disse Simone.
__Por que você sua língua venenosa acha que eu e Alessandro somos gays?
__Carlos, eu não acho. Quer dizer, é que... –Simone olhou em volta. –O Alessandro nunca arranja uma namorada, você é todo sozinho, nunca namora sério com ninguém e só andam juntos. E numa foto que a Carla revelou, tem uma que parece que você ta com a mão na bunda do Alê. Pronto, falei.
__Você é uma bruxa, Simone. Seu problema é que você não passa de uma mãe e uma esposa infeliz, que tem uma família horrível.
__É isso que você acha de mim? Quantas revelações! –Disse ela, segurando o choro.
__Calma, gente. –Pediu Vânia já nervosa.
__Quando terminar a tempestade, podem ir embora, suas falsas. –Disse Carlos se levantando mais do que bêbado, com muita raiva.
__Olha o que você fez! – Vânia brigou com Carla.
__Eu vou embora. –Disse Alessandro se levantando.
__Você não pode sair agora. Tá chovendo muito, as ruas devem estar alagadas. –Alertou Vânia.
__O jogo não terminou muito bem. –Concluiu Babi.


Carlos despejou toda a cocaína que sobrara no criado mudo e foi cheirando tudo.
__O que você tá fazendo? –Perguntou Alessandro aos gritos tentando evitar, mas já era tarde, Carlos havia cheirado tudo.
__O que foi? –Perguntou Vânia, entrando no quarto com todo o restante atrás. Todo mundo ficou parado na porta olhando para Carlos que havia sido pego em flagrante.
__Vocês querem mais uma revelação? Pois lá vai. Eu cheiro cocaína. –Disse Carlos sentado, curvando-se sarcasticamente, como se esperasse palmas.
Angustiada e sentindo-se culpada por ter brigado com ele, Simone se aproximou para tentar ajudá-lo de alguma forma.
__Nós somos seus amigos e vamos te ajudar.
__Me ajudar? Você acha que eu sou gay. O que eu fiz pra você ficar falando isso de mim sem antes me perguntar? Você é muito falsa.
__Me desculpe pir não ter perguntado. –A briga entre os dois ia começar.
__Eu tô sendo amante do meu ex-noivo. –Disparou Vânia numa tentativa de chamar atenção para que não houvesse mais uma briga. –Já que todo mundo está revelando alguma coisa...
__Amante do Uziel? Desde quando? –Perguntou Babi.
__Umas duas semanas. –Vânia sentou-se ao lado de Carlos. –Você não é o único que faz revelações surpreendentes aqui.
Imperava o silêncio
__O Daniel é bissexual. –Disparou Carla, fazendo mais surpresas. –Eu flagrei vendo sites pornográficos gays em seu computador, fiz chantagem, por isso ele me promoveu a gerente.
__Sabia que ele tinha algum segredo. –Disse Carlos, dando um leve sorriso começando a esquecer o que havia acontecido. Mas Alessandro, não .
__Só para fechar logo isso. Eu não sou gay. E fiquei decepcionado em vocês falarem de mim por trás. Isto não é nenhuma revelação, vocês já sabem disso. Mas eu vou revelar uma coisa...
__Já experimentou. –Tentou advinha Carla.
__Não. Amoris... –Ele a olhou. –Eu não quis tentar namorar com você e também já perdi muitas oportunidades com outras mulheres, porque eu sou muito inseguro e tenho medo de ser rejeitado. É essa minha verdade.
__Eu não deveria ter dito nada pra ninguém, desculpa. Vamos esquecer tudo isso. –Disse Amoris envergonhada.
__Alessandro e Amoris... –Disse Babi chamando a atenção. – Beija! Beija! Beija... - insistiu, batendo palmas lentas e pesadas, convocando os demais amigos a apoiarem, para que enfim aquele climão fosse superado.
Amoris se aproximou já ciente de que ele queria, mas que era péssimo para dar o primeiro passo. Ele, enfim resolveu ir ao encontro dela e os dois se beijaram.
O beijo foi interrompido por um grito assustador de Simone, ao ver Carlos começar a se debater na cama.
__Ele cheirou muito pó e bebeu muito. –Disse Alessandro, tentando segurá-lo.
__Vamos chamar uma ambulância. –Disse Simone.
__E como vamos explicar a cocaína que ele cheirou? –Perguntou Vânia retoricamente. Com seu conhecimento de clientes usuários, ela tentou um processo que o acalmou. –Ele já está dormindo.


Já era noite quando a tempestade já estava perto de cessar.

__Alguém vai ter que ficar aqui com o Carlos. Ele não pode ficar aqui sozinho sem energia. –Disse Simone enquanto acendia uma vela.
__Meu pai está chegando. Eu vou descendo. Espero que ele não perceba que eu bebi demais. Desculpem pelo constrangimento que causei, tá? – despediu-se Carla.
Alessandro, o mais sóbrio, levou Babi e Amoris para suas casas. Simone e Vânia continuaram no apartamento do Carlos, estavam sentadas descansando.
__Agora, minha amiga, podemos conversar melhor. Você deve estar mal com esse negócio de ser amante do Uziel, né? Por que não me contou antes?
__Tive vergonha. O que eu faço, Simone? Eu gosto tanto dele que por mim, até ser amante está bom, mas isso não tá me fazendo muito bem... –Desabafou, confusa, caindo no choro. Simone a abraçou.


Revelações, em geral, fazem bem. Libertam. Apesar de ter sido difícil confessar, Amoris se sentia melhor. Ao ser levada para casa por Alessandro, os dois voltaram a se beijar molhados pela chuva que os pegara na saída do carro.
Outras revelações dão orgulho, como é o caso de Babi. Assumiu-se virgem e só perderia isto quando se casasse com o amor da sua vida.
Muitas revelações fazem mal as outras pessoas e isso traz arrependimento. Como no caso de Simone, que após ter revelado seus pensamentos, viu que estava completamente errada. Aprendera uma lição, pensaria duas vezes antes de fazer qualquer julgamento.
Mas nem toda revelação é 100% verdadeira, como a de Vânia, que disse sobre seu caso com Uziel, mas omitiu alguns detalhes.
Talvez, a melhor revelação que pode ser feita é aquela que traz ajuda ao revelador. Carlos agora dormia tranqüilamente, agora seus amigos o podiam ajudar a sair desse vicio.
É, a revelação faz parte do ser humano. Mas e para aqueles que não têm a quem fazer alguma revelação? Daniel olhava o álbum de fotos no Orkut de Carla, ela o havia atualizado com as fotos de todos os novos amigos do Contratador de Diamantes. Observando-a bem numa foto em especial, ele sentiu muita vontade de voltar com ela. Para pessoas como ele, só resta esperar para que seus desejos aconteçam.
__Ela vai me pedir para voltar. –Disse Daniel ainda vendo a foto de todos os funcionários.


NÃO PERCA
NA SEMANA QUE VEM
PENÚLTIMO CAPÍTULO DA TEMPORADA DE
O Contratador de Diamantes

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