Está perto de chegar ao fim a atual temporada de Malhação, e alguns pontos não poderiam passar em branco. Não poderiam mesmo, pois há muito tempo nós brigamos por isso, e seria uma injustiça não ficar de pé e parabenizar a autora Patricia Morethzsohn pela verdadeira revolução que provocou na série.Neste ano, Malhação quebrou paradigmas que foram construídos em torno dela nos últimos quinze anos. A resistência à mudança, o apelo ao perfil mexicano clássico dos personagens, tudo isso fez a série entrar em forte declínio a partir da temporada 2005, chegando numa situação insustentável em 2007. Ninguém queria mais ver aquela fórmula pronta do casal-que-se-ama-e-luta-pelo-seu-amor. Entrava temporada e saia temporada, e os protagonistas estavam cada vez mais longe da realidade dos jovens brasileiros: eram sempre muito aplicados na escola, não tinham defeito algum além da ingenuidade, e se amavam eternamente.
Além disso, houve trocas de casais dignas da novela Rebelde, essa sim mais ousada, e que parece ter deixado importantes lições para sua equivalente brasileira.
Dentre outras revoluções provocadas por Patrícia estáa conexão que ela fez dos personagens com a internet - uma das sacadas mais geniais, embora necessariamente óbvia, que a série já presenciou em toda a sua existência. Também, a contratação de atores predominantemente jovens deu mais veracidade às histórias.
Claro que Malhação ainda tem defeitos que resistiram a tantas mudanças; mas o importante é que agora as portas estão abertas para mudanças mais profundas. O autor Ricardo Hofstetter, que já foi titular da novelinha, assumirá novamente o comando na temporada 2010, que será estrelada por Filipe Galvão (foto), filho do cantor Fabio Jr. já começou querendo dar fim ao Múltipla Escolha; talvez para pôr outro colégio no lugar, mas aí não vai dar em nada. Ele também demolirá o Shopping Center, infelizmente, já que essa foi uma grande sacada de Patricia. Quase todo o elenco será mudado; Ricardo parece não querer comparações, e tem um certo orgulho em jogo. Que ele não traga "o suco que não se toma todo" de volta.


















