Nascido em 1955, Flavio de Souza é um dos nomes mais importantes da tevê brasileira. Seu rosto pode não ser tão conhecido, mas seu legado nunca será esquecido! A rima serve para dizer que ele está por trás de duas das melhores produções infantis que já foram feitas no Brasil: Castelo Rá-tim-bum e Mundo da Lua, séries das quais ele é o criador. Também chegou a atuar nesses programas: em Mundo da Lua, ele era o impertinente Tio Dudu (foto), e é no Castelo que está seu personagem mais fácil de guardar: o cientista Tíbio, irmão gêmeo do Perônio. Além disso, ele também trabalhou como roteirista de outros programas excelentes, como o Rá-tim-bum e até o Sai de Baixo. Hoje em dia, trabalha como redator final do TV Xuxa, que, conforme já apontamos aqui, é a mais completa atração infantil na tevê aberta atualmente. Depois da TV Colosso, nenhuma emissora conseguiu aliar produção, conteúdo educativo, entretenimento e qualidade num só programa. A Globo até tentou com Bambuluá, mas não deu certo. Assim, com o fim da "cidade dos sonhos", fecharam-se também as portas para o entretenimento de qualidade às nossas crianças. De Bambuluá só restou a TV Globinho, emissora fictícia situada na cidade dos sonhonhocas, e que acabou se tornando um programa independente, que hoje vive às custas de desenhos cortados. Onde estão os castelos, os fantoches, os animais que falam...? Cadê o artesanato?! Se você disse "em Cocoricó", até que acertou. É o último dos moicanos, mas não é a mesma coisa. E se você disse Mais Você, eu estou falando de outro tipo de artesanato! Precisamos, e para ontem, de Flavio de Souza. Hoje, ele se dedica a escrever seus livros (ao todo, são 35), e às quase 70 peças que já montou. Flavio nos contou que até tentou voltar à TV num de seus engenhosos projetos, mas que encontra obstáculos graças à preguiça das emissoras, acomodadas que estão exibindo seus desenhos. Veja as palavras que Flavio mandou, com exclusividade, em conversa com o dono deste blog (grifamos):
Oi, Thico, eu estou escrevendo bastantes livros, na TV é complicado fazer mais daqueles programas, porque custam muito caro, só uma emissora como a Globo poderia produzir uma coisa dessas, o Roberto Talma tinha um projeto desse tipo, no ano passado, mas não foi aprovado. Desenho animado custa bem barato. Teria que ser na TV Cultura.
E como a Cultura já não é o que já foi... Teremos que aprender a viver com as reprises do que o mestre Flavio de Souza, pai da infância brasileira, já fez por nós. Clique aqui ou na imagem acima e conheça o site oficial do roteirista.
Boa notícia pra quem está em São Paulo: essa é a última oportunidade pra vocês verem o espetáculo Teatro Castelo Rá-Tim-Bum: Onde Está o Nino?, que entrou em sua última temporada. As crianças não são as mesmas, claro, mas o Nino continuará sendo interpretado pelo Cassio Scapin. Diferente de alguns atores, que tentam a todo custo se desvincular da imagem de um personagem que os tenha consagrado, Cassio diz que fez questão de reviver o Nino: "É realmente uma despedida. Quando eu soube que a peça ia voltar, pensei: 'Deixa eu aproveitar para fazer mais um pouquinho'". Pra você que já o perdoou por ter passado por Caminhos do Coração, o espetáculo está em cartaz no Teatro Abril, centro de São Paulo, até 14 de dezembro.
NO FINAL DA POSTAGEM - ENTREVISTA EXCLUSIVA COM A ATRIZ CINTHYA RAQUEL - A BIBA!
Felizes são as crianças que têm ou tiveram a oportunidade de crescer assistindo aos programas eternizados da Cultura, aqueles do início da década de 90. A emissora atingiu um colossal sucesso com o programa Rá-tim-bum (1989-90), que era uma mistura variada de quadros educativos, com todo aquele formato plástico que as crianças adoram. Cheio de cores, desenhos, bonecos, teatro e música; tudo feito com muito cuidado, pedagogicamente perfeito e bem mais artesanal do que essas produções que se vêem hoje.
O sucesso de Rá-tim-bum, que acumulou inclusive prêmios internacionais - como a medalha de ouro no Festival de Cinema e Televisão de Nova York - empolgou toda a Cultura. Após seu fim, Rá-tim-bum não deixou herdeiros nem sugestões para um substituto. Ainda assim, a Cultura pressionou seus diretores para que se fizesse um novo programa. Um Rá-tim-bum 2, pra ser mais preciso. O roteirista Flávio de Souza (que acabou virando o cientista Tíbio) e o cenógrafo Marcelo Oka foram dois dos grandes nomes que, aliados ao diretor Cao Hamburger, idealizaram um programa totalmente novo.
No início, era um projeto meio amorfo, mas que aos poucos foi criando consistência. E era arriscado, já que nunca se tinha feito algo parecido no Brasil, e que não tinha quase nada a ver com o que se queria copiar, o Rá-tim-bum.
E então, bem antes de JK Rowling marcar com um raio a testa do Harry Potter, profissionais brasileiros fizeram um anzol na cabeça do Nino, colocando no papel a vida de bruxos que viviam num castelo cercado de feitiçaria. Inicialmente, focou-se no projeto de O Castelo do Dr. Victor, e a partir daí surgiu toda a família Stradivarius, que apresentaria às crianças uma dimensão de magia com um foco educativo, agregado a um humor simples e um texto sensacional. É, tenha pena de quem não curte o Castelo Rá-tim-bum.
O cenógrafo Marcelo Oka revelou que nenhum objeto do castelo foi comprado. Obedecendo à idéia de fábula que se queria transmitir para o público, todos os objetos do Castelo ou foram adaptados ou foram construídos especialmente pro projeto. Do sofá à caixinha de música, tudo foi personalizado pra dar mais veracidade à fantasia.
O Castelo era basicamente um único galpão imenso, nas mesmas disposições que se vê na televisão. Segundo Freddy Allan (Zequinha)numa entrevista pra um fã no Orkut, apenas a oficina do Dr. Victor não ficava no subterrâneo, como dava a entender. Ficava sim atrás da biblioteca; o elevador era só pra tapear. Outro cenário que não obedecia exatamente à seqüência do mapa que idealizamos quando assistimos, é o quarto da feiticeira Morgana.
Como todas as produções da Cultura, o português dos atores tinha que ser perfeito - segundo Rosi Campos (Morgana), eles tinham que falar um português "que ninguém fala". Pra isso, contavam com um professor de português que acompanhava a produção. Mesmo sendo um grande sucesso, Rosi Campos disse ainda que o Castelo teve apenas 90 episódios (sendo que o planejado era produzir 180), que foram ao ar em 3 meses, e desde então, vêm sendo reprisados até hoje. Foram gravados em aproximadamente 2 anos.
DOCUMENTÁRIO - VISITANDO O CASTELO
O episódio perdido.
Poucos tiveram a oportunidade de assistir a um episódio que só foi ao ar, segundo as minhas contas, uma vez (mas há controvérsias). Foi no natal entre 1994 e 96, não me lembro bem quando foi. Muitos fãs comentam sobre esse episódio, questionando se realmente teria existido - mas existiu, e eu assisti. Falava sobre um garoto que sonhava em conhecer o Castelo, e que depois de seguir o rato-móvel, chega ao "meio de São Paulo" e tem seu sonho realizado. Dizem que está numa das fitas de vídeo lançadas pela Cultura, mas vai saber. Grandes programas têm seus mistérios.
O que é bom, fica!
E reprisa! Vide o Chaves, em toda a sua glória, e salvo as devidas proporções, que até hoje alcança ótimos números com suas reprises.
O Castelo Rá-tim-bum marcou por tratar criança não como idiota, mas como um ser humano que está aprendendo e que tem plena capacidade de gostar disso mesmo quando deixar de ser criança. Assim, consagraram-se ainda mais, grandes nomes da televisão, como Sérgio Mamberti (Dr. Victor) e o Marcelo Tas (Telekid - "Porque sim" não é resposta!), que hoje é um dos crânios do CQC - Custe o Que Custar, o melhor programa de 2008.
Rosi Campos conseguiu em 2004 outro papel que marcaria a sua carreira pra sempre - o da Mamuska Edilásia, na excelente novela Da Cor do Pecado, que também entrou pra história. Quem decaiu bruscamente foi o Cassio Scapin, que apesar de ser o ator que é, e de ter dado vida ao nosso inesquecível Nino, recentemente fez parte daquele crime contra a inteligência do brasileiro - a novela Caminhos do Coração. Mas bola pra frente, o Cassio vai superar isso.
Luciano Amaral (Pedro) já levava consigo os créditos do elogiado programa Mundo da Lua, em que atuou com grandes nomes como Antônio Fagundes e Gianfrancesco Guanieri. Até pouco tempo atrás – não sei hoje – estava na PlayTV, apresentando o PlayZone e o Fala+Joga.
Freddy Allan (Zequinha) é ator e leitor do Zaratustra. Tinha 9 anos quando começou a interpretar o Zequinha, que sempre tinha um "por quê" pra tudo e que nunca se contentava com as respostas, até que levava um par de gritos "Porque sim", abrindo espaço pro Telekid. Freddy teve uma breve passagem pela Record no programa Vila Esperança (1998-99) em que interpretava Fabinho Biu, líder das crianças do programa. O projeto da Vila Esperança fora oferecido inicialmente pro SBT. Que preferiu passar a bola pra Record. Na época, a emissora aprovou os resultados do trabalho, que chegava a marcar 8 pontos. Foi o último grande trabalho de Freddy em rede nacional. Hoje, dedica-se ao teatro.
Cinthya Rachel interpretava Biba, a garota da turma do Castelo, também por isso era uma das que mais chamavam atenção, até por carregar certo instinto maternal. Chegou até a fazer macarrão pra todos, na vez que o Nino quase morre de fome. Sempre com suas aspirações feministas, e às vezes mancomunada com a jornalista Penélope (Angela Dip). Biba era a voz das meninas na história, e como diria o Martin Van Creveld, "oprimia os meninos" (hehehe). Essa semana, a Cinthya concordou em nos ceder uma entrevista exclusiva, em que contou curiosidades sobre a época do Castelo, e sobre essa fase que marcaria sua carreira pra sempre.
Cinthya também comentou a morte do ator Vagner Belo (o Etevaldo). Vagner Belo sofria de Aids, e faleceu do meio pro fim das gravações. Chegou as ser substituído em um episódio pela sua irmã Etecétera. Hoje, Cinthya tem 27 anos, é casada, e disse que tirando o Castelo, os trabalhos que mais lhe marcaram foram os extintos Turma da Cultura e Domingo da Gente. Pra você que é fã, visite o blog da Cinthya clicando aqui.
Ok Ok! Veja!
BLOGARITMOX.Qual era a sua idade quando fazia parte do castelo? Quais são as suas maiores saudades daquela época?
Cinthya Rachel – Comecei com 13. Não sinto saudades, tenho boas lembranças, todos se davam bem e era muito divertido gravar.
BLOGARITMOX. Em sua essência, o "Castelo" é um programa educativo. O que você aprendeu fazendo o programa, ou lendo os textos, ou assistindo, e que tenha sido útil pra você como estudante?
Cinthya Rachel – Creio que o lado lúdico, de imaginação, de inventar coisas.
BLOGARITMOX.Você sabia que tem gente que acha que era você que cantava o "tim-tim-tim" na música de abertura?
Cinthya Rachel – (Risos) Sério? Isso é novidade pra mim.
BLOGARITMOX.(Pra mim também). Houve também os espetáculos teatrais da turma do Castelo. Por quanto tempo vocês estiveram em cartaz, e que cidades visitaram?
Cinthya Rachel –Hum... Ficamos muito tempo em cartaz, não lembro exatamente qto. Começamos em 96 no TUCA. Visitamos Campinas, Brasília, Ribeirão Preto, Joinville, Blumenau, Curitiba, Porto Alegre...
BLOGARITMOX. Como foi a reação da equipe com a morte do Vagner Belo, o Etevaldo? Em que fase das gravações isso aconteceu?
Cinthya Rachel – Ficamos muito tristes, ele era muito carinhoso com a gente. [Aconteceu] Do meio pro fim das gravações.
BLOGARITMOX.Você se lembra de como e quando recebeu essa notícia?
Cinthya Rachel – Não lembro mais. Já faz 14 anos.
BLOGARITMOX.O que achou do filme do Castelo? Ficou chateada por não terem seguido o enredo original da televisão?
Cinthya Rachel – Gostei do filme sim. Adoraria ter participado, mas o roteiro não incluia as crianças e o Nino crescido.
BLOGARITMOX. O que acha da repercussão da série, que é considerada por muitos a melhor produção infanto-juvenil da história da televisão brasileira?
Cinthya Rachel – Acho maravilhoso e incrível, pois sei o qto foi e é importante na vida de várias crianças.
BLOGARITMOX.Você tinha idéia de que o nome "biba" teria outra conotação hoje? Acha que tem a ver com o fato de Biba ter sido a única menina fixa do grupo, e que tinha aquele comportamento serelepe? Hehe... Você não precisa responder essa.
Cinthya Rachel – (Risos) Não acho nada demais. A rosa com outro nome teria o mesmo perfume (Risos).
BLOGARITMOX.Por que há episódios em que a Biba e o Pedro não aparecem, e sim amigos do Zequinha? (um desses episódios é o que os garotos montam um "natal de mentirinha")
Cinthya Rachel – Não tem nenhum motivo específico. Estava no roteiro desde o início.
BLOGARITMOX. Como vê a atual safra de programas infanto-juvenis da TV aberta/fechada?
Cinthya Rachel – Os desenhos da Tv a cabo são muito divertidos mas um pouco politicamente incorretos, mas na minha época tb assistia Tom e Jerry e eles se explodiam, e tô aqui viva e sã (mais ou menos hahahahha). Na tv aberta não tem nada que em chame atenção.
BLOGARITMOX. Quais são seus próximos planos, e o que está fazendo agora?
Cinthya Rachel – Estou escrevendo livros infantis, que sempre foi um dos meus sonhos.
"Blog de humor e fantasia, criado para fins de entretenimento, apenas. As informações e opiniões aqui contidas podem não corresponder à realidade. Se você se ofendeu com alguma postagem, certamente a mesma se trata uma ficção que deve ser imediatamente desconsiderada, e não levada a sério"
contador de visitas
visitantes desde 12-07-2008(o blog foi criado em Outubro de 2006)[Contadores Web]