
Nos últimos dias, colunistas de TV informaram o resultado de uma pesquisa feita pela Globo junto ao "público", para avaliar o desempenho de
Tempos Modernos.
Basicamente, chegou-se ao resultado de que o público é avesso às "inovações" da novela.
Não, o público é avesso a quase tudo que é ruim na novela.
O computador
Frank é para ser entendido como um alter-ego de
Leal? Não. É pra ser visto como uma novidade que o autor achou o máximo, e por isso quer nos empurrar goela abaixo. Tudo em Frank é forçado.
A direção é deficiente. Os atores que se salvam, são por esforço próprio. E o público nota isso.
Thiago Rodrigues é um que precisa de ajuda. Ele gesticula tanto quando fala, que para dar uma tapona na cara de um, não falta muito. No livro
O garoto da novela,
Walcyr Carrasco fala que, na TV, em algumas cenas você precisa não se mexer muito, que as câmeras costumam focar no seu rosto. Se você está dançando o
Vai Serginho, como o Thiago, fica difícil.
Sem contar que
Zeca e
Nelinha não têm a menor graça, embora as donas de casa ouvidas pela Globo aprovem. O casal é fraco! Piegas! E a história do
"amor impossível entre irmãos que não são irmãos"? Não poderiam escolher nada mais manjado? Por exemplo, a pobre garota rica e o rapagote humilde, rico de coração, que sofrem com as barreiras impostas pela sociedade? Ah, não, espera: Zeca e Nelinha vivem isso também.
Grazzi Massafera também passou imune pela pesquisa. Mas a "vilã cômica"
Deodora que ela interpreta não convence ninguém. A culpa? Da personagem. Da direção. E do próprio conceito de "vilã cômica". De uns tempos pra cá, muitas foram anunciadas, mas qual realmente atendia a essa descrição?
Priscila Fantin merece ser a protagonista. Preparada, ela consegue fazer sua personagem se sobressair quando está em cena. Sua personagem merece crescer. Dá gosto vê-la na tela.
A novela não é ruim o tempo todo. Eu não acho que não tenha salvação. Mas está fraca. A galeria do rock, outro dos "pontos incompreendidos", é uma baboseira. Mas nessa mesma novela há quem arranque elogios da maioria:
Alessandra Maestrini,
Viviane Pasmanter. É em trabalhos como esse que você identifica o grau de profissionalismo de certos artistas. Outros, por mais experientes que sejam, não são nada sem direção. E é isso o que muita gente boa vem fazendo ali: nada.
E chega de pôr a culpa no difuso, que não pode se justificar, e se vinga não assistindo. Eles não gostam, e pronto. Não é porque são burros. Seria burro quem não entendesse que todo esse culto à cidade de São Paulo, que a novela faz, é para atrair o telespectador de lá, que é quem realmente importa para o ibope? Essa inteligência eles não exigem do telespectador.
Não esconda o ouro,
Bosco Brasil. Já li maravilhas ao seu respeito, à sua capacidade. Acredito em tudo isso. Só não sei por que você tem feito de
Tempos Modernos essa coisa rala.