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sábado, março 19, 2016

As melhores séries de 2015


Estamos vivendo uma nova era de ouro na TV, em um momento em que as emissoras lutam para não ficarem à sombra dos sites de streaming, como Netflix e Amazon, que têm oferecido um catálogo diversificado com títulos que já estão se firmando no circuito de prêmios. E com isso, nós ganhamos com uma diversidade de séries de qualidade, como há muito não víamos! Confira, agora, as que mais gostamos no ano passado — e não deixe de ver nossa playlist com as aberturas de todas elas!

 15º — Transparent: 2ª Temporada (Amazon)

Transparent é tudo, menos comédia (como a Amazon diz ser). É drama, daqueles bem densos, e com um elenco óptimo. O fato de Maura (Jeffrey Tambor), a protagonista, ser transexual é bem diluído na trama, e não é isso que torna a série pesada, mas sim os três filhos dela — sujeitos particularmente egoístas. Essa foi a conclusão a que cheguei após a primeira temporada, que eu não curti muito, o que abriu as portas para que eu entrasse no clima da segunda. Acho mesmo que egoísmo seria a palavra certa para definir os personagens. Em especial os filhos. Vejamos: nessa temporada, Sarah, que havia abandonado o marido e pai dos seus dois filhos para viver um romance lésbico, resolve se casar com a então amante Tammy, mas antes disso já vinha concluindo que não gostava nem um pouco dela, e o desfecho disso foi traumática: durante a festa do casamento, Sarah convence sua rabina a jogar fora os documentos, para que a união não fosse formalizada. Por sua vez, o seu irmão Josh sai para uma festa no dia em que a companheira sofre um aborto. Por fim, temos a Ali, que se descobre lésbica após as investidas de sua amiga Syd, que sempre a amou. Pouco tempo depois de começarem a relação, Ali resolve que quer aderir ao poliamor, o que resolve colocar em prática, com Syd ou sem ela. Sem querer julgar o acerto ou desacerto das escolhas deles, todo esse "egoísmo" é a mola propulsora da maioria dos problemas dos personagens, inclusive da própria Maura. E são situações em que você se vê pouco envolvido, porque realmente não é fácil se conectar emocionalmente com eles. Mas eu admiro a forma como a série consegue construir isso.

14º — Game of Thrones: 5ª Temporada (HBO)

Demorei a ver Game of Thrones, não acho essa coca-cola toda, mas é inegável que se trata de uma série que prende a sua atenção. Com relação a essa 5ª temporada, vamos combinar que essa não foi a melhor de todas, mas se isso for o "pior" que eles puderem fazer, ainda assim está bom demais. Estou ansioso pra saber se Jon Snow volta ou não volta, se Sansa vai deixar de ser sonsa, e como Cercei irá se reerguer após a marcha da vergonha. É interessante que a série esteja se emancipando dos livros, até porque o George R. R. Martin não trabalha no mesmo ritmo que os produtores, e as discrepâncias nas histórias sempre geram discussões das mais divertidas.


 
13º — American Dad: 12ª Temporada (TBS)

American Dad não é muito popular, mas tem se mantido bem fiel à sua proposta desde o início; e ou você ama ou você deixa. Os plots dos episódios não fazem jus à qualidade da série como um todo, sendo muitas vezes fracos ou repetitivos neste ponto, mas o que eles oferecem de piadas e diálogos engraçados, poucos seriados aclamados têm sido capazes de igualar. Isso acontece porque só American Dad tem um personagem como o Roger, um ET que possui tantas personalidades e disfarces, que dava pra fazer encher um Netflix inteiro só com histórias dele. E os roteiristas têm noção da liberdade criativa que têm com esse personagem, o que lhes permite criar situações absurdas; por exemplo, num dos episódios recentes, Roger consegue convencer a FIFA a realizar a próxima Copa do Mundo na varanda dos Smiths. E por aí vai!
 
12º — House of Cards: 3ª Temporada (Netflix)

Foi particularmente difícil aguentar a espera pela 3ª temporada de House of Cards, mormente pelo gancho desesperador que eles deixaram no ano anterior envolvendo o personagem Doug. O desfecho desse arco acabou me frustrando um pouco, mas nem por isso a 3ª temporada foi ruim, embora também não tenha superado as duas anteriores. A campanha do Frank Underwood à presidência dos EUA tem corrido a todo o vapor, e paralelamente a isso, o inescrupuloso político vê a sua vida pessoal desmoronar. Ao retratar os bastidores da política com requintes de sincericídio, House of Cards expõe feridas que os estadunidenses não estão tão acostumados a encarar, ao passo que nós, brasileiros, já estamos tão acostumados que até enfiamos o dedo sem medo de doer.
 

11º — Sense8: 1ª Temporada (Netflix)

Uma das séries mais comentadas do ano passado, Sense8 foi um fenômeno de popularidade e dividiu opiniões. Poucos seriados arrebanharam um público tão grande e engajado, em tão pouco tempo. Apesar da trama confusa, principalmente nos primeiros episódios, foi necessário um pouco de paciência até a história finalmente engrenar — e quando isso acontece, os episódios são de perder o fôlego. Pra mim não foi difícil dar essa chance, porque mesmo quando não estava entendendo nada, eu estava achando tudo lindo. Fiquei particularmente encantado com a grandiosidade da sua produção, que filmou em nove cidades, de oito países (e sem chroma key):  Chicago, São Francisco, Londres, Berlim, Seoul, Reykjavík, Cidade do Mexico, Nairobi e Mumbai. Dentre os oito protagonistas, temos uma transexual, um negro africano, uma chinesa, uma indiana, um mexicano, um alemão, uma inglesa, e um estadunidense. O legal de Sense8 é apostar na diversidade, sem fazer favores ou concessões. Só faltou um brasileiro aí nessa conta; e como eles fizeram um enorme sucesso aqui, dá pra ter essa esperança.


10º — Parks & Recreation: 7ª Temporada (NBC)

Uma das melhores comédias de todos os tempos, Parks & Recreation começou bem mal, até aprender com os próprios erros e, aos poucos, encontrar o seu verdadeiro humor. Sem contar com uma audiência à altura da sua qualidade, tampouco prêmios importantes (apesar de várias indicações), a NBC resolveu encerrar a sua produção no ano passado, quando foi ao ar a temporada de despedida. Enquanto muitos festejam Veep, acho que nenhuma comédia extraiu tanto humor da política quanto Parks, embora este não tenha sido seu único tema, já que dedicou muito do seu tempo às relações e intimidades dos personagens. O universo criado pela série era fascinante, e aos poucos a cidade fictícia de Pawnee foi virando uma brilhante sátira de toda a nação dos EUA, um verdadeiro microssistema que potencializava todos os absurdos e bizarrices do american way of life como, por exemplo, o vício por junk food (as "porcarias" que também amamos), e muito mais. Vai fazer muita falta.

 
 9º — Mr. Robot: 1ª Temporada (USA)

Outra que causou o maior buzz em 2015 foi Mr. Robot, a história de um nerd/hacker que, sem querer querendo, entra numa guerra simbólica contra o próprio sistema capitalista, aqui personificado pela Evil Corp, uma das maiores corporações do planeta. É realmente uma premissa bem inovadora, diria até corajosa, pois muitos poderiam ver a série como uma apologia ao comunismo ou mesmo à anarquia, especialmente nos Estados Unidos, que quase foi capaz de entrar numa terceira guerra mundial só pela ameaça disso. Só que ao contrário, a forma inteligente como a série se desenvolveu possibilitou uma sincera reflexão sobre a relação do cidadão com a tecnologia, e com o que está por trás disso. Mesmo sendo um pouco conspiratória, Mr. Robot ganhou credibilidade, e só perdeu alguns pontos comigo por causa das reviravoltas nos últimos capítulos, o que eu achei de uma forçação de barra danada. É esperar para ver o que será da sua continuação.

 8º — Gravity Falls, Um verão de mistérios: 2ª Temporada (Disney XD)

Uma verdadeira joia perdida! Mesmo sendo um desenho da Disney, Gravity Falls é um daqueles clássicos instantâneos. Tem esquisitice, tem inteligência, e tem coração; impressiona mesmo. Feita para crianças, ela nunca foi infantiloide, possibilitando que um público mais experiente também pudesse se deleitar. Com elementos de ação e aventura, um humor ágil e personagens carismáticos,Gravity Falls se propôs a efetivamente contar uma história, com começo, meio e fim — o último episódio foi ao ar no mês passado, totalizando apenas duas temporadas.


7º — The Leftovers: 2ª Temporada (HBO)

Já falamos de The Leftovers, e do salto impressionante que ela deu da primeira para a segunda temporada. Serviu pra mostrar como o modelo de produção de séries é dinâmico, e como esse dinamismo pode ser utilizado a favor de uma produção. Foi bonito de ver.


 6º — Jessica Jones: 1ª Temporada (Netflix)

Mais pelos personagens do que pela história, Jessica Jones me agradou logo de cara. Foi a consolidação do acerto da parceria da Marvel com a Netflix, que já tinham marcado um golaço com Demolidor. Krysten Ritter caiu como uma luva no papel da heroína, que em vez de salvar passageiros de trens descarrilados, usa sua superforça de forma menos altruísta, paralelamente ao seu trabalho de investigadora particular. O grande destaque, sem dúvidas, foi o vilão Kilgrave, vivido pelo britânico David Tennant. Temos aqui sérios candidatos ao Emmy.


5º — Rectify: 3ª Temporada (Sundance)

Sem muita ação, Rectify é uma série despretensiosa, contemplativa, com foco no desenvolvimento de seus personagens, todos de imensa riqueza emocional. A série gira em torno da reabilitação social de Daniel (Aden Young), preso aos 18 anos acusado de estuprar e matar sua namorada. Depois de passar 19 anos no corredor da morte, o rapaz é liberado após um exame de DNA revelar que ele, pelo menos da acusação de estupro, era inocente. O desenrolar do seu caso é conduzido com muita delicadeza nos roteiros, e a sua adaptação no mundo real se mostra um desafio não só a ele, mas principalmente para as pessoas ao seu redor. Rectify, embora realmente não se escore em violência, sexo ou reviravoltas mirabolantes, é uma das coisas mais lindas que a TV já produziu nos últimos anos.


 4º — Demolidor: 1ª Temporada (Netflix)

A parceria da Netflix com a Marvel não poderia ter começado melhor. Eles pegaram o Demolidor, herói não muito popular, que foi retratado miseravelmente no filme de 2003 com Ben Affleck, e o transformaram em um dos personagens de HQ mais populares do ano passado. Em Demolidor, tudo deu certo: história, personagens, produção. Também já falamos dele aqui, então dá um confere!


3º — The Americans: 3ª Temporada (FX)

The Americans passou muito tempo na minha lista até eu criar coragem pra assistir, pois estava envolvido em outras coisas. Pois bem, esse ano eu quebrei o tatu. A trama, por si só, já desperta a curiosidade: um casal de espiões soviéticos vivendo disfarçados nos EUA durante a guerra fria. Sim, é tão bom quanto parece!


2º — BoJack Horseman: 2ª Temporada (Netflix)

Em 2015, não se produziu nenhuma comédia que chegasse à altura de BoJack Horseman. Essa foi mais uma série que, de uma primeira temporada morna, voltou com sangue no olho e superando todas as minhas expectativas. Foram 13 episódios sacadas geniais, piadas no ponto e relações cada vez mais complexas entre seus personagens. Isso sem falar na participação estelar de Lisa Kudrow como Wanda, uma coruja produtora da TV, que acabara de acordar após 30 anos em coma. Essa temporada, certamente, figura entre um dos meus momentos preferidos da TV.


1º — Fargo: 2ª Temporada (FX)

Você já percebeu quantas séries dessa lista são do FX? O canal fechado da Fox tem surpreendido com títulos variados, muitos deles com lugar cativo no coração dos críticos. Embora ainda não tenha selado uma identidade, como Netflix e HBO têm feito, o FX tem cada vez mais merecido a sua atenção. No ano passado, eles adaptaram o belíssimo filme Fargo para a TV, e foi um sucesso imediato. Mal sabíamos nós que a segunda temporada seria ainda melhor. Antológica, suas temporadas são independentes, mas se passam no mesmo universo. Neste ano, fomos brindados com uma história de máfia com requintes sobrenaturais, um nonsense que casou lindamente com os momentos de acentuada tensão, abrilhantada por uma atuação arrasa-quarteirão de Kristen Dunst, uma franca favorita ao Emmy este ano.

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terça-feira, janeiro 15, 2013

Resumão de Ouro: Os melhores de 2012!



Patrimônio imaterial da humanidade, o Resumão de Ouro tornou-se um prêmio bastante cobiçado nos bastidores da televisão mundial. Superada a realização da profecia maia, que dizia que em 2012 não teríamos a premiação (era isso o que os maias quiseram dizer; o que houve na comunidade científica foi um triste mal-entendido), agora estamos livres das amarras apocalípticas para podermos alimentar nosso povo com os prêmios, também imateriais, do Resumão de Ouro — o nosso prêmio.

RESUMÃO de OURO | Edição 2013
A postagem contém spoilers de algumas séries de TV


☆ ATOR ☆
DAMIAN LEWIS (Homeland)

Lançada em 2011, Homeland é uma série que anda dividindo opiniões. Após uma primeira temporada que beirou à perfeição, a segunda já não teve a mesma receptividade. Todavia, as duas temporadas são muito lineares no que se refere à atuação de Damian Lewis, que dá vida ao sargento Nick Brody, um fuzileiro que passou oito anos refém de terroristas no Iraque e é resgatado em circunstâncias muito suspeitas — apesar de ter sido recebido como um herói. De mocinho a vilão, e depois a mocinho de novo, Lewis foi visceral na condução do seu personagem, especialmente em cenas extremamente complexas, como a que Brody, fazendo as vezes de um homem-bomba, trava uma dolorosa batalha consigo mesmo até finalmente desistir de colocar tudo pelos ares. Isso sem contar que o ator lida muito bem com as diferentes nuances do personagem, principalmente quando não quer se fazer um sujeito confiável. Fica difícil não ter um pé atrás com esse tal de Brody. Em 2012, Damian Lewis levou o Emmy de melhor ator pelo papel, e no último domingo ele faturou também o Globo de Ouro. Imagine quando ele souber que ganhou também o Resumão de Ouro.



☆ ATRIZ ☆
CLAIRE DANES (Homeland)

Homeland também deve muito de seu brilho a Claire Danes, que vive a protagonista Carrie, oficial de operações da CIA que nos primeiros episódios se mostra capaz de arriscar tudo, até a própria sanidade para desmascarar Brody e impedir os planos do terrorista Abu Nazir. E justamente quando todos pensam que ela está louca, ela se mostra certa e o tempo que a CIA perdeu por não acreditar em suas palavras pôs em risco a própria segurança nacional. Com graça e autoridade, Carrie é o que sempre irá diferir Homeland de 24 horas, o que tem tirado o sono de alguns críticos depois da segunda temporada.

Em suas atividades, Carrie chega a ser inconsequente, e até inverossímil (como no episódio que culminou na captura de Abu Nazir). Mas nada que diminua a força de Claire Danes, que também ganhou um Emmy em 2012 e o último Globo de Ouro, e se tornou uma das personagens mais queridas pelos estadunidenses no ano passado. 


☆ HUMOR ☆
CATHERINE TATE (The Office)

Ao passo em que James Spader mostrou-se ter sido uma péssima escolha para substituir Steve Carrel, foi possível constatar que este foi apenas um dos muitos equívocos cometidos pelos produtores de The Office. Colocar Ed Helms (Andy) como gerente da Dunder-Mifflin, no lugar antes ocupado por Carrel, sem dúvidas foi o maior deles.

Conta-se que a primeira opção para o cargo não foi Spader, mas a britânica Catherine Tate (que, assim como ele, também apareceu como candidata à vaga no episódio Search Committeé, a finale da 7ª temporada), mas a atriz teve que recusar por ter assumido compromissos no teatro. Uma vez livre, ela foi convidada novamente, e aceitou. Todavia, a forma com que a sua personagem Nellie foi recolocada na história não agradou a maioria do público estadunidense, e causou estranheza em alguns críticos. Eu, ao contrário, adorei tudo na sua volta.

A verdade é que todos os erros foram sanados com a chegada de Nellie, o público que não quis ver; um erro de interpretação que acabou prejudicando a série, mas que está sendo corrigido nesta temporada.
Por sorte, mesmo tendo sofrido essa injusta rejeição, a Nellie foi mantida na 9ª e última temporada da série, só que com menos espaço do que merecia.

Tida como um David Brent de saias (em alusão ao protagonista da versão original de The Office, vivido por Ricky Gervais), Nellie é mestre na arte de causar vergonha alheia, e uma personagem extremamente rica e bem defendida. 


☆ REVELAÇÃO DO HUMOR ☆
CLAUDIA ABREU (Cheias de Charme)

Pensei em dar o prêmio de melhor vilã á Chayenne, mas não seria justo. Por mais que eu tenha adorado a personagem, a maldade nunca foi o seu forte. Exemplo mais genuíno de vilã cômica que se poderia ter, no final das contas a personagem acabou se mostrando mais cômica do que vilã — o que não é um demérito.  

Claudia Abreu mergulhou fundo na rainha do tecno-brega, e foi a única que não ficou cansativa na reta final de Cheias de Charme (óptima novela, mas que perdeu a mão em suas últimas semanas). Ao lado da personal curica Socorro (Titina Medeiros) e de seu empresário Laércio (Luiz Henrique Nogueira), Chayenne não só arrancou muitas risadas como mostrou um lado até então desconhecido de Claudia Abreu, justamente ela, uma atriz de talento já reconhecido nacionalmente. Além de fazer graça, ela ainda cantou muito bem e fez história com uma de suas melhores atuações.


☆ PROGRAMA DE TV ☆
COMÉDIA MTV AO VIVO (PlayTV)

O sucesso do Comédia MTV pôs em evidência o grande time de humoristas que a pequena emissora conseguiu reunir. "Liderado" por Marcelo Adnet, que já vinha do sucesso 15 minutos, o programa deu também destaque a Dani Calabresa, Tatá Weneck, Bento Ribeiro, Guilherme Santana e Paulinho Serra. Vários vídeos do programa fizeram sucesso na internet, como o excelente Indiretas Já.

Emissora pequena e de poucos recursos, a MTV conseguiu oferecer um programa simples mas muito bem realizado. Tanto que, creio eu, ajudou a esvaziar a versão nacional do Saturday Night Live. Aliás, o Comédia MTV é a verdadeira versão brasileira do SNL. Ou foi, porque a sua permanência na grade da MTV ainda não é certa (a sobrevivência da própria MTV já não é certa...).

Em 2013, se o programa não sair do ar, voltará com grandes baixas (Marcelo Adnet vai para a Globo e Dani Calabresa já assinou com a Band, para apresentar o CQC), e deixará de ser ao vivo.

 
☆ APRESENTADOR DE TV ☆
SILVIO SANTOS (SBT)

Ele, sempre ele. O homem. Silvio Santos já foi premiado na edição 2010 do Resumão de Ouro, e não é costume nosso dar o prêmio a uma mesma pessoa mais de uma vez. Mas visto que a televisão brasileira anda tão fraca em apresentadores, especialmente do sexo masculino, fica fácil entregar o troféu ao SS quantas vezes for preciso. Ele é e sempre será o melhor apresentador que este continente já viu. 

Também é preciso dizer que a estatueta do Resumão não caiu do céu no colo de SS só por ele ser o que é (apesar de que só isso já bastaria). Em 2012, o Programa Silvio Santos não só brigou pela vice-liderança em todos os domingos, como também fez sucesso com uma das pegadinhas mais engraçadas de todos os tempos: a menina fantasma no elevador, que você hoje já não aguenta ouvir falar, mas já deu suas risadas ao conferir o vídeo. E não só você, pois a pegadinha virou febre no mundo inteiro, contabilizando muito mais de 70 milhões de acessos, se contarmos os vídeos postados por diferentes usuários no YouTube (o campeão é este). 

Isso sem contar as tiradas de Silvio Santos, que tira onda dos seus convidados com a maior liberdade. Coisas que eu ou você sempre pensamos mas não dizemos para não sermos processados, o Silvio fala e ainda ri na cara.

☆ SÉRIE ☆
FUTURAMA (Comedy Central | Fox | Bandeirantes)

Há muitas séries que mereciam estar aqui, mas poucas têm me deixado tão feliz quanto Futurama. É uma
uma verdadeira pérola.

Mesmo com esse vasto universo conspirando contra, Futurama superou até as melhores expectativas, e está cada vez melhor — e convenhamos, ninguém conhece a vastidão do universo tão bem quanto eles. 

Foram 5 anos de cancelamento (coisa que costuma ser pra sempre), e a improvável volta aconteceu não pela Fox, emissora que exibiu as primeiras temporadas, mas pelo Comedy Central, um pequeno mas imponente canal fechado que exibe séries como South Park e Ugly Americans. E por ser pequeno, é um canal que não tem condições de bancar salários milionários para os dubladores, por mais que estes mereçam. Este impasse quase impediu que a série voltasse a ser produzida, ou quase fez com que algumas vozes fossem substituídas. No final das contas, pelo bem da nação, todos os atores toparam voltar ao projeto, mesmo por um salário menor.

O incrível é que não parece que Futurama trabalha com um orçamento reduzido; sequer parece que passou 5 anos no purgatório. A série voltou ainda melhor, tanto em histórias quanto em produção. A cada episódio eles surpreendem, como nessa abertura feita a mão (e tentáculo).

Os dias de hoje, com seus iPhones e tudo mais, são ainda mais inspiradores para os roteiristas de Futurama, do que na "primeira fase" do seriado, em que a única coisa realmente interessante era a virada do milênio, coisa que não demorou a acontecer e não rendia muitas histórias. Tanto que nos primeiros episódios de Futurama, no ano 3000 ainda não existiam câmeras digitais; os roteiristas não previram. Nos novos episódios, eles já arranjaram uma explicação até para isso.

No Brasil, Futurama é exibida na Bandeirantes e na Fox.

☆ NOVELA ☆
AVENIDA BRASIL (Globo)
AUTOR: João Emanuel Carneiro
DIREÇÃO GERAL: José Luiz Villamarim e Amora Mautner 
DIREÇÃO DE NÚCLEO: Ricardo Waddington

A audiência de Avenida Brasil (39 pontos de média geral) não condizia com o que era visto nas ruas. A trama parou o país, esvaziou ruas e virou pauta de jornais do mundo inteiro: The Wall Street Journal, Financial Times, The Guardian, BBC World e La Nación foram algumas das publicações que se interessaram pelo grande sucesso obtido pela novela das nove.

O novelista João Emanuel Carneiro é apontado como causador de um veradeiro estrago na teledramaturgia — depois de Avenida Brasil, o brasileiro nunca mais verá novela do mesmo jeito. E a primeira vítima é Gloria Perez, que não ainda conseguiu empogar com Salve Jorge, coisa que não seria problema em outros tempos.

Também mereceram elogios a direção de José Luiz Villamarim, Amora Mautner e Ricardo Waddington, um casamento perfeito com o texto inspirado de Carneiro.

Nenhum personagem da novela sofreu rejeição, todas as tramas foram aceitas pelo público e até algumas falhas na narrativa (como o fato de Nina ter perdido tão facilmente as fotos que incriminavam Carminha) não só foram perdoadas como viraram piada nas redes sociais, sem causar nenhum tipo de indignação. 


☆ VILÃ ☆
CARMINHA (Adriana Esteves)
Avenida Brasil 

Se todos os personagens de Avenida Brasil tinham carisma, nenhum superou o de Carminha, a vilã que fez o telespectador vibrar a cada aparição sua. Até quem tinha suas reservas com Adriana Esteves se rendeu à personagem. Não que a Nina não tenha feito a sua parte (Debora Falabella não foi menos que eficiente), mas foi a Carminha que ganhou o coração do público.



☆ EPISÓDIO DE SÉRIE ☆

The Book Job | Os Simpsons
Exibido em 20 de novembro 2011 - 5.77 milhões de telespectadores

Quando eu comecei a assistir "The Book Job", tive a impressão de que aquele seria "mais um episódio da Lisa" (e convenhamos, de todos ela é a mais enjoadinha). Mas acho que nunca fiquei tão surpreso com Os Simpsons!

Homer e Bart reúnem um dream team para escrever um best-seller infanto-juvenil, e para isso escolhem os improváveis Patty, Moe, Skinner e o Cara dos Quadrinhos: que é apenas uma entre as milhões de combinações possíveis entre os mais de 150 personagens fixos da série. O escritor Neil Gaiman (interpretado pelo próprio) se oferece para ajudá-los, mas eles o querem apenas preparando comida e servindo coquetéis (o que ele faz de bom grado). Na vida real, Gaiman é autor de grandes sucessos como Sandman e Stardust, e que acaba sendo responsábel pelo momento mais hilariante do episódio, que é o final.   

É fato que Os Simpsons, há 24 anos no ar, não tem o mesmo vigor das primeiras temporadas. Por isso eu não esperava muito. Felizmente eu estava redondamente enganado, e há anos eu não via um episódio tão engraçado.


Hot Water | American Dad
Exibido em 20 de novembro 2011 - 5.83 milhões de telespectadores

Quem me conhece sabe que não gosto de episódios musicais de seriados, mas recentemente descobri que também não sou tão fechado assim a eles. Vez ou outra aparecem exceções que me deixam maravilhado!

Eis que American Dad, que já arriscou fazer os personagens pararem tudo e começarem a cantar, pela primeira vez fez um episódio inteiramente musical. E com louvor! 

O convidado aqui foi o rapper Cee Lo Green, que deu vida a uma banheira diabólica, que seduz Stan (Seth Macfarlane) e arruina a sua família. Boas músicas intercaladas por um texto cheio de píadas inteligentes.


Q&A | Homeland
Exibido em 28 de outubro 2012 - 2.07 milhões de telespectadores

A segunda temporada de Homeland pode dividir opiniões, mas Q&A foi um episódio impecável e não há como negar. Talvez muito da suposta derrocada da série se deva a ele, mas pelas consequências das situações apresentadas. Se a série encantou pelas famosas reviravoltas, em Q&A eles foram um pouco longe demais, e apressaram muito alguns fatos que só esperávamos ver mais à frente. Um episódio que poderia tranquilamente ser uma season finale, foi exibido quando a temporada não estava nem na metade.

Mas como eu já disse, este episódio em si foi irreprimível, tanto pela história quanto pelas atuações de Damian Lewis e Claire Danes, que extraíram tudo de seus personagens e nos presentearam com intrerpretações do mais alto calibre.

Q&A é sigla para Questions & Answers (Perguntas & Respostas). Um singelo eufemismo para um alucinante interrogatório. Brody, após capturado pela CIA, é pressionado e até torturado para revelar o que está por trás do seu resgate no Iraque, e quais são os planos do terrorista Abu Nazir contra os EUA. Vale a pena conferir.



☆ PERSONAGEM ☆
RON SWANSON (Nick Offerman)
Parks & Recreation 

Nick Offerman, com seu bigode robusto e cara de poucos amigos, responde pelo melhor personagem da excelente Parks & Recreation, o diretor do depto. municipal de parques e recreação Ron Swanson. E é um trabalho que nada tem a ver com ele: Ron não gosta de parques, de recreação, nem do governo. É um tipão rústico, discreto, que gosta de ficar no seu canto — totalmente o oposto de sua melhor funcionária,  Leslie Knope (Amy Poehler): "Você é pró-governo, nunca para de falar, e é loira. É meu pior pesadelo", confessou ele para Leslie no hilariante episódio "Ron and Diane", outro que também tinha tudo pra levar um prêmio. Apesar dessa cara de bruto, Ron é boa-praça e guarda um carinho especial por Leslie, uma verdadeira amiga. 

Neste momento do Resumão, eu sei que por mais que eu demore horas escrevendo sobre o Ron, não será possível descrever o quão incrível é este personagem. Só vendo mesmo. E pra te dar uma pequena prova disso, clique aqui e veja um dos seus melhores momentos (retirado de "Indianapolis", episódio 6 da 3ª temporada).


☆ PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ☆
MORENA BACCARIN como Eric Flynn (The Mentalist)

Morena Baccarin é, atualmente, a brasileira mais bem-sucedida da TV estadunidense. Após anos fazendo pequenas e médias participações em produções diversas, em 2009 ela foi a grande revelação da série V, hoje cancelada, mas que outrora recebeu boas avaliações da crítica. Hoje, Morena é uma das protagonistas de Homeland no papel de Jessica Brody, esposa do fuzileiro.

Em 2011, entre V e Homeland, Morena engatou uma participação especial em The Mentalist como Erica Flynn, papel que ela reprisou no ano passado. Aqui ela não deu vida a uma arquivilã, mas sim a uma sedutora estelionatária que consegue subjugar, ou mesmo desconcertar, qualquer homem. E é se valendo destes "poderes" que ela consegue tudo o que quer, até mesmo fugir da prisão.

Os episódios em que Morena participa são só alguns exemplos da encheção de linguiça que há em O Mentalista: são histórias não contribuem em nada para a trama principal, que é a caça ao serial killer Red John. E isso tem me incomodado. Dos males, o menor é contar com a sempre bem-vinda participação especial de Morena.



☆ JORNALISTA ☆
RENATA VASCONCELOS (Globo)

É verdade que o Resumão não é um prêmio Esso, e estamos premiando a Renata Vasconcelos mais pela âncora do que pela jornalista que ela é — afinal, aos olhos profanos a única coisa que ela faz é apresentar telejornal. Coisa que ela faz muito bem, aliás.

Apresentadora do Bom dia Brasil, eventualmente ela substitui a Patrícia Poeta na bancada do Jornal Nacional, e é muito elogiada nesta função. Renata tem postura, elegância e é muito carismática. É uma das melhores no que faz.

Queria muito poder dar esse prêmio à Raquel Sherazade, mas por enquanto isto ainda não será possível. Não exatamente pelos boatos de que ela estaria sendo antipática no SBT, aproveitando-se da liberdade que lhe foi dada pelo Silvio Santos, mas sim por vislumbrar que ela ainda não tem a maturidade necessária. O vídeo em que ela defende o cristianismo e ataca os ateus é de uma violência gratuita que não dá pra entender. Eu, que não sou ateu, fiquei ofendido. A Raquel é uma profissional de opiniões contundentes, quase sempre muito válidas, mas que precisa aprender que ter a chance de tecer suas opiniões em um telejornal, por mais liberdade que se tenha, é diferente de querer falar tudo o que pensa.



☆ MÚSICA ☆
ADELE

Você pode pensar que a Adele já é notícia velha, mas não. Foi a artista que mais vendeu discos em 2012 e continua com tudo.

Tá certo que 2011 foi o ano dela — e sem concorrência, pois enquanto Adele ascendia nós perdíamos a Amy Winehouse.  

21 é um disco gostoso de se ouvir, da primeira à última faixa (apesar de ter sido o presente mais devolvido do último natal). Recuperada de uma cirurgia nas cordas vocais, é provável que Adele já não cante da mesma forma canções como Someone like you, e isso ela deve compensar com novas músicas que já não exijam tanto de si, mas sem perder o alto nível. É o caso da recente Skyfall, composta especialmente para o novo 007 - Operação Skyfall, que concorre ao Oscar de melhor canção original.


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segunda-feira, junho 13, 2011

Resumão de Ouro: Os melhores de 2010


Com tradição não se brinca. Há três anos, surgia no Blogaritmox o troféu Resumão de Ouro, que quando não premia os melhores do ano, homenageia os que mais se destacaram. 2011 já está na sua segunda metade, e os leitores do blog já tinham perdido as esperanças de verem esta postagem virar realidade...

Bem, como vocês sabem (breve retrospectiva barra arquivo confidencial), este começo de ano foi bem difícil pra mim; estava cursando oito matérias na faculdade, e paralelamente, estudando para o Exame de Ordem, que todos estudantes de Direito (como eu) devem fazer para se tornarem advogados. Neste último Exame, que foi prestado por bacharéis de todo o Brasil, foram apenas 11% de aprovados - incluindo este que vos fala. Foi a primeira vez que prestei o Exame, e olha que nem formado ainda eu sou. Então, se tudo der certo (pode não dar, vamos torcer pra que dê), já vou virar 2012 como advogado!

Claro que estou feliz, mas essa postagem não é sobre mim, correto? Todavia, eu sei que você está com um sorrisinho de orgulho engatilhado, prestes a soltá-lo... Vamos lá... Eu ralei muito pra poder tirar essa onda.

Enfim. Não foi tão difícil chegar aos Melhores de 2010. Desta vez, ao contrário dos anos anteriores, optamos por distribuir apenas 1 troféu por categoria, na medida do possível.

Ah, e por fim, lembrem-se que vocês são sempre convidados para votarem nos Melhores do Ano, e por isso eu não aceito reclamações quanto aos escolhidos. Já não me basta o aborrecimento de que me deu a minha equipe de jornalistas convidados especialmente para fazerem esta postagem, mas que me abandonaram por não aceitarem trabalhar pra mim por menos de um salário mínimo.

RESUMÃO de OURO | Edição 2011

☆ ATOR ☆
ALAN CUMMING (The Good Wife)

Veterano do teatro e do cinema norte-americanos, Alan Cumming (Eli Gold) chegou a The Good Wife como secundário, e não demorou a ser promovido para o elenco fixo. Seu sucesso é tanto que, antes mesmo de a série ser renovada para a 3ª temporada, Cumming fechou contrato para trabalhar até uma eventual 5ª.

A construção do personagem reúne elementos típicos da política: charme, poder e muito cinismo, além de uma poker face, que é o pretinho básico dos bons praticantes dessa arte. Eli Gold consegue se destacar mais do que Peter Florick (Chris Noth), cuja campanha ele gerencia fervorosamente. É um caso raro de um coadjuvante que não precisa protagonizar para roubar a cena, e que sabe como conduzir a sua ambição.


☆ ATRIZ ☆
CLAUDIA RAIA (Ti ti ti)

Foi aos cuidados de Claudia Raia que a autora Maria Adelaide Amaral confiou as melhores frases de Ti ti ti. Uma delas: "Nos anos 80, pichar muro era um must, mas hoje em dia nem deliquente faz isso. Também qual é o sentido de pichar muro se hoje dia qualquer um tem um blog? Da próxima vez escreva um blog".

A atriz conseguiu reafirmar o seu enorme talento com uma atuação despojada, e com todas as emoções que a personagem exigia. E não é de se espantar que Jaqueline tenha caído nas graças do telespectador.


☆ HUMOR ☆
STEVE CARELL (The Office)

Desde que despontou no cinema, em grandes bilheterias como O virgem de 40 anos, ele estava afastado da televisão. Em 2005, Steve Carell ele estreou como Michael Scott em The Office, e trouxe consigo toda a sua credibilidade, além de um talento sobrehumano. Os escritores lhe entregam um script que já era bom por si só, e eis que Steve vinha e fazia misérias com ele.

A série, de audiência modesta, é bastante requisitada pelo mercado publicitário, além de ser um fenômeno de vendas em home video (foi a comédia que mais vendeu DVDs em 2009). Muito disso se deve ao trabalho de Steve, que conquistou a admiração do público, e a confiança dos publicitários. Por essas e outras, a NBC fez de tudo para dissuadí-lo quando ele anunciou que estava deixando a série, por motivos pessoais.

Não conseguiram. Perdemos o Steve. Perdemos o Michael.

A profundidade da interpretação de Steve Carell como Michael Scott é algo que merece ser estudado. Com louvor, ele entrou para a seleta galeria dos personagens mais marcantes da história, além de se consolidar como o melhor chefe do mundo.


☆ REVELAÇÃO DO HUMOR ☆
GABRIELA DUARTE (Passione)

Eu praticamente cresci associando a imagem de Gabriela Duarte a de uma mulher difícil de aturar. Ela parecia toda chatinha, toda ranhetinha, toda filhinha da namoradinha. Pensei que isso nunca fosse mudar; e o mais impressionante é que a redenção tenha acontecido numa novela chata como Passione. Se era chata, tinha tudo a ver com a Gabriela Duarte, certo? Pois então. Foi um raro acerto dessa novela.

A Jéssica não tinha os melhores diálogos ou as melhores cenas; tinha a atriz ideal. Praticamente sozinha, Gabriela quebrou o esteriótipo e hoje pode andar na mesma calçada que os cidadãos de bem.

Seu talento para o humor chamou tanta atenção que ela está confirmada na próxima temporada da sitcom Junto e Misturado, de Bruno Mazzeo.


☆ PROGRAMA DE TV ☆
CONEXÃO REPÓRTER (SBT)

O jornalístico encabeçado por Roberto Cabrini, além da conhecida competência deste profissional, causou grande barulho em âmbito nacional, provocando até a instauração de CPIs, como a da pedofilia na Igreja Católica. Seu trabalho investigativo trouxe para o SBT uma posição de respeito no jornalismo brasileiro, que não se via desde a chegada de Ana Paula Padrão, apesar da baixa audiência. É uma pena que a emissora dê mais atenção ao moribundo SBT Repórter do que ao programa de Cabrini, deixando claro que a sua contratação não foi exatamente pela sua qualidade como jornalista, mas tão-somente para atingir a Record, como parte do plano de vingança pela contratação de Gugu Liberato.


☆ APRESENTADOR ☆
RATINHO (SBT)

Eu gosto do Ratinho! E em 2010, ele novamente se consolidou com o Programa do Ratinho, com toda aquela esculhambação que lhe é de praxe. Nada mais de tentar desconstruir a sua imagem de fogueteiro, como se chamá-lo de Carlos Massa pudesse mudar alguma coisa.

Ah, os testes de DNA! Eles voltaram. E se você pensa que isso é explorar a miséra das pessoas, é porque você não sabe como são as audiências nas Varas de Família, pelos mesmos testes de DNA, e ainda pior: com um pedido de pensão alimentícia em pauta. O pau quebra no Ratinho, o pau quebra no Fórum, com a diferença de que lá, juízes e advogados não deixam os litigantes chegarem às vias de fato. Só o que Ratinho faz é deixar acontecer naturalmente. E provocando um pouco, ninguém é de ferro.

Pois eu reafirmo que gosto do Ratinho, e numa época em que o horário tem tido opções tão fracas, é bom ver a velha ratazana fazendo o que gosta.


☆ SÉRIE ☆
THE GOOD WIFE - Pelo Direito de Recomeçar (CBS | Universal Channel)

"A boa esposa", é a tradução do título. Nós, brasileiros, logo associamos à Amélia, a que não tinha a menor vaidade, descrita por Ataulfo Alves e Mário Lago no samba Ai, que saudades da Amélia. Naquela época (década de 40), muitas Alicias já despontavam na sociedade, deixando nos machões aquela nostalgia pela mulher de verdade.

E a Alicia de Juliana Margulies pode te fazer querer cantar o samba. Desde que o marido foi preso, ela foi obrigada a se redescobrir: como mulher, como advogada (profissão que ela outrora preteriu para cuidar da família), e como mãe. E só sendo uma grande mulher para aguentar a barra de ser mãe do Ben 10 (na foto acima, colocando o sapato).

The Good Wife
é uma série imperdível, mesmo sem grandes cenas de ação. A adrenalina está nos casos que Alicia e os advogados do escritório Lockhart and Gardner têm que enfrentar. Além dos casos: cada advogado, e cada juiz com que eles se deparam, têm uma personalidade diferente e ajudam a compor as histórias; não são meras participações.

The Good Wife
cumpre tão bem o seu papel que até o título em português - Pelo Direito de recomeçar -, apesar de não ter nada a ver com o original, é estranhamente bom e adequado.


☆ NOVELA, AUTOR E DIRETOR ☆
Ti ti ti (Novela)
Elizabeth Jhin (Autora de "Escrito nas estrelas")
Luiz Fernando Carvalho (diretor de "Afinal, o que querem as mulheres?")

Essa categoria está ficando cada vez mais diversificada desde 2009, quando todos os prêmios envolviam A Favorita.

Ti ti ti
foi uma novela ousada, apesar de ser um remake. Apostou em várias linguagens, inclusive mesclando elementos de folhetins anteriores, e mandou bem em cada uma delas. Maria Adelaide Amaral não criou cem por cento daquilo, mas foi muito criativa e divertiu bastante. E apesar de não ter sido a melhor novela dos últimos anos, ajudou a estabilizar a audiência do horário, depois que Tempos Modernos quase pôs tudo a perder.

Elizabeth Jhin
merece o prêmio de Melhor Autora por ter concebido sozinha a trama de Escrito nas Estrelas, uma novela bem leve, fácil de gostar, e com um tema que sempre envolve os brasileiros, por mais que alguns tenham certa resistência: o espiritismo.

E como Diretor, merece aplausos o Luiz Fernando Carvalho, de Afinal, o que querem as mulheres?. A pergunta não tem resposta, mas o diretor tem uma imaginação sem limites. Ele acaba nos mostrando que ainda não vimos tudo, o que é maravilhoso, em dias como os de hoje.

☆ VILÃS ☆
Beatriz (Débora Falabella) e Sofia (Zezé Polessa)
Escrito nas Estrelas

As vilãs mais recentes têm sido ruins de doer, e isso inclui a Clara de Passione, (nada contra a Mariana Ximenes. A personagem é que não sabia pra onde ia). E se você perceber bem, toda novela, principalmente das seis e das sete, promete uma "vilã cômica". Em Escrito nas Estrelas também tivemos o Gilmar (Alexandre Nero), chato até o osso. Não gostei.

Beatriz e Sofia foram as que melhor cumpriram o seu papel. Tinham uma proposta, foram lá e realizaram. A Beatriz teve um começo meio trôpego, pois foi a estreia da Débora Falabella no lado negro da força, e contou bastante com a presença de palco da experiente Zezé Polessa no papel de sua mãe. As duas acabaram formando uma boa dupla de pilantras, o que não se vê desde Bárbara e Tony, de Da cor do pecado.


☆ EPISÓDIO DE SÉRIE ☆

5 to 9 | House
Exibido em 8 de fevereiro 2010 - 13.60 milhões de telespectadores

Por trás do olhar cansado de Cuddy (Lisa Edelstein), não fazíamos ideia do quanto é difícil se colocar em seus sapatos. É tanta burocracia, prazos, problemas e picuinhas, que ter que aceitar as maluquices de House (Hugh Laurie) acaba sendo apenas um entre tantos problemas. Em "5 to 9", tiramos o dia para acompanhar a rotina alucinante da diretora do Princeton-Plainsboro, e passamos a admirar a forma com que ela gerencia cada minuto do seu dia. É um dos melhores episódios da série, que tem passado por um momento difícil, que inclui a saída da própria Cuddy. Que bom que, antes de essa tragédia acontecer, fomos brindados com um episódio tão bom.


There will be bad blood | American Dad
Exibido em 28 de novembro 2010 - 6.13 milhões de telespectadores

Na verdade este episódio não conta nenhuma história tão especial, por isso não vou me alongar. O que ficará marcado na minha memória é quando Roger reencontra sua loba, uma tal de "Felicity", enquanto vagava no meio do nada. Eu tive que rever a cena várias vezes para me controlar, de tanto que ri.


The hot troll deviation | The Big Bang Theory
Exibido em 14 de outubro 2010 - 12.57 milhões de telespectadores

Foi um episódio em que o Sheldon (Jim Parsons) foi o que nunca deveria ter deixado de ser: um coadjuvante. E ele arrasou ao lado do Raj (Kunal Nayyar), brigando para não terem que dividir a mesma sala no trabalho. Foi até melhor que a trama principal do Howard (Simon Helberg), que aos poucos descobriu que o seu relacionamento sério com Bernadette (Melissa Rauch) lhe libertou da necessidade de "fazer justiça com as próprias mãos".

☆ PERSONAGEM ☆
Roger | American Dad

Roger é um ET clandestinamente abrigado por Stan Smith, o "paizão americano" que é agente da CIA. Como não aguentaria ficar para sempre dentro de casa, Roger dá o seu jeito: ele cria milhares de personagens, e sai às ruas sem ser notado. São tantas personas, que algumas fogem do seu controle.

A característica mais marcante do Roger é conseguir ser muito pior do que o "politicamente incorreto", talvez justamente por não ser humano, o que lhe dá liberdade para fazer tudo o que normalmente condenamos (às vezes por razões óbvias). Ele não possui uma sexualidade definida - apesar de preferir homens, a depender da personalidade que ele está assumindo -, mas já estuprou o próprio diário, e além disso é consumidor de todo tipo de droga que você imaginar: Roger é viciado em álcool, tabaco, maconha, heroína, cocaína, crack, esteróides, oxicodona, êxtase, euphoria (a droga falsa de 90210 - Barrados no Baile), óxido nitroso, metanfetamina, e outras substâncias mais.

Ele é o personagem mais cultuado de American Dad, e isso poderia até causar ciúmes no Stan, se ambos não fossem dublados pelo mesmo Seth Macfarlane, criador da série. Só que o Roger é, seguramente, o seu melhor trabalho. De longe.

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☆ PARTICIPAÇÃO ESPECIAL ☆
Mamie Gummer como "Nancy Crozier" | The Good Wife

The Good Wife é cheia de boas participações especiais, mesmo que a maioria delas seja de rostos desconhecidos para nós. Nancy Crozier (Mamie Gummer) é uma das advogadas que Alicia já derrotou, e foi mais difícil do que se poderia esperar.

No tribunal, Nancy tenta passar a imagem de uma jovem interiorana, meio bobinha, mas é uma advogada muito malandra. Enquanto a audiência está rolando, ela está com seu bloquinho de anotações a postos - não para escrever, mas para desenhar coraçõezinhos. Isso porque ela já sai de casa sabendo muito bem a estratégia que vai utilizar. E pobre de quem a subestima.

☆ JORNALETEIROS ☆
Ricardo Boechat e José Simão | BandNews FM

Eu, quando estou preso no trânsito, preciso de um pouco de rádio, ou no mínimo ouvir um CD surrado. Caso contrário, a minha mente fica aberta para todo tipo de atrocidade, como fantasiar a Daniela Albuquerque montada num cavalo (mais bonito do que o burro em que ela galopa normalmente).

Enfim... conforta saber que no trânsito, ou em qualquer lugar em que você se sinta bem pra ligar o rádio, você tem a companhia de Ricardo Boechat e de José Simão. Juntos, ainda por cima.

O Boechat sabe quando ser sério e sabe apontar problemas e soluções, com a segurança de quem sabe o que está falando. E o Simão vem, diariamente, roubar alguns minutinhos dessa seriedade. O ponto alto do Buemba! Buemba! são as piadas que você e eu ajudamos a construir, graças aos adoráveis filhos da puta que elegemos para nos fazerem passar vergonha.

☆ MÚSICA ☆

BRUNO "O MARCIANO" MARS

Alguém conhecia o Bruno Mars antes de 2010? E alguém virou o ano novo sem conhecê-lo?
Bruno é um havaiano que está em atividade desde 2007, e no ano passado veio o sucesso mundial com o hit Bilionaire, que escreveu ao lado do também estreante Travie McCoy. Não parou por aí: enquanto os bilhões de dólares não chegam, Marciano tem emplacado diversas músicas no topo das paradas do mundo todo, como "Just The Way You Are" e "The Lazy Song", esta última, cotada para se tornar o novo hino do estado da Bahia.

PAULA FERNANDES

Essa é do tipo de mulher que você torce pra que tenha chegado na sua vida pra ficar. Além da embalagem de encher os olhos, Paula Fernandes tem uma voz linda. Ela gravou a abertura de Escrito nas Estrelas, ganhando projeção em todo o Brasil, e foi só um pontapé que se fez necessário pra que ela pudesse ser reconhecida pela talentosa artista que é.

Não que Maria Gadú também não merecesse o prêmio, mas enquanto esta tietava o Caetano Veloso, a Paula Fernandes vinha pegando de com força o Rei Roberto Carlos, e não se pode subestimar quem tem tão fácil acesso à realeza.
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KATY PERRY

Outra que você deve ter ouvido à exaustão no ano passado foi Katy Perry. Teenage dream, California gurls e Fireworks estavam mais presentes nas rádios do que os fogos no céu de Copacabana em noite de reveillon. Foi um bom ano para Katy, que não precisou mentir dizendo que saiu beijando garotas, como fez pra se lançar em 2008.


☆ PERSONALIDADES ☆
Chuck Lorre e Charlie Sheen

Quem viu pessoalmente a iminência desse abraço não imaginava que hoje esses dois cachorrões iam se odiar tanto como se odeiam hoje.

Charlie Sheen aprontou, foi expulso de Two and a half men, quis voltar e não deixaram. Acha que a série não vai funcionar sem ele, do mesmo jeito que não funcionaria se não tivesse topado o convite de Chuck Lorre, anos atrás, para interpretar uma versão caricata de si mesmo. Parte disso é verdade.

Sheen e Lorre encerraram uma parceria vitoriosa, e da pior forma possível. Famosos lavando roupa suja em público é algo até normal de se ver; a diferença aqui é que são celebridades de primeiro time, de salários milionários, dando os escândalos de mão beijada aos tablóides.


"Blog de humor e fantasia, criado para fins de entretenimento, apenas. As informações e opiniões aqui contidas podem não corresponder à realidade. Se você se ofendeu com alguma postagem, certamente a mesma se trata uma ficção que deve ser imediatamente desconsiderada, e não levada a sério"
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